A posição foi transmitida no domingo à noite, em Madrid, durante um jantar comemorativo do 10 de Junho organizado pela associação da comunidade portuguesa Fórum dos Portugueses.
Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que os responsáveis políticos enfrentam hoje desafios significativamente mais complexos do que no passado. “Hoje é mais difícil governar do que era há cinco, dez, 15, 20 ou 25 anos”, afirmou, dirigindo-se ao Presidente da República, ao Governo e aos titulares de cargos políticos em geral.
O antigo chefe de Estado apelou a uma maior pedagogia sobre a importância da estabilidade, defendendo que não se deve contribuir para a instabilidade mediática ou institucional. “Não é só não contribuir para o ruído, é fazer a pedagogia daquilo que é importante: a estabilidade institucional e a estabilidade pessoal”, referiu.
Na sua intervenção, destacou ainda o impacto da globalização e da interdependência económica, sublinhando que acontecimentos em qualquer parte do mundo têm hoje efeitos imediatos nos mercados e na vida das populações. “O que se passa numa ponta do mundo faz tremer as bolsas e vai diretamente ao bolso de todos”, observou.
Marcelo apontou também a aceleração do tempo político e mediático como fator de pressão adicional sobre a governação, referindo que decisões que antes tinham maior estabilidade são hoje rapidamente contestadas ou alteradas.
O antigo Presidente da República reiterou ainda que não pretende regressar à intervenção política ou partidária, defendendo um perfil de reserva institucional enquanto ex-chefe de Estado. “Escolhi regressar àquilo a que podia regressar sem problemas”, afirmou, referindo que tem vindo a realizar visitas a escolas e a participar apenas em atividades culturais muito pontuais.
Marcelo alertou ainda para o que descreveu como o “risco de adição” à política, sublinhando a importância de evitar envolvimentos que possam comprometer a neutralidade de um antigo Presidente. “Quando se é Presidente da República, fica-se para sempre ex-Presidente da República”, afirmou, defendendo que esse estatuto implica responsabilidade permanente.
O antigo chefe de Estado recordou ainda episódios recentes em eventos públicos para ilustrar a necessidade de cautela na exposição mediática, sublinhando que, mesmo em contextos informais, um ex-Presidente deve ter consciência da sua representação institucional.
Marcelo Rebelo de Sousa terminou o seu mandato em março deste ano, sendo sucedido na Presidência da República por António José Seguro.
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