A informação foi divulgada esta quarta-feira pelos jornais El Diario e El País, com base nos registos áudio da chamada "caixa negra" do sistema ferroviário.
De acordo com os dados conhecidos, o maquinista do comboio Iryo Frecciarossa número 6189, que fazia a ligação entre Málaga e Madrid, contactou a central de controlo numa primeira chamada de forma calma, informando apenas que o comboio se encontrava imobilizado nas proximidades de Córdova. Nesse momento, não tinha ainda conhecimento de que três carruagens tinham descarrilado, nem da existência de vítimas mortais ou feridos. Seguindo os procedimentos de segurança, pediu autorização para sair da cabine e descer à linha férrea para avaliar a situação.
Só numa segunda chamada o maquinista percebeu a gravidade do acidente, informando que várias carruagens tinham invadido a via contrária. De forma urgente, pediu o encerramento imediato do tráfego ferroviário na zona. "Preciso que parem o tráfego nos trilhos com urgência, por favor", ouve-se na gravação. O maquinista solicitou ainda a presença imediata de serviços de emergência, incluindo bombeiros e ambulâncias, depois de ter observado um incêndio num dos vagões e identificado passageiros feridos.
Apesar do alerta, a central de controlo indicou ao maquinista que não existia circulação ferroviária na linha oposta. No entanto, segundos antes dessa comunicação, um comboio Alvia, que seguia de Madrid para Huelva, já tinha colidido com as últimas carruagens do comboio da Iryo. Na sequência do impacto, várias carruagens do Alvia descarrilaram e caíram para um aterro.
O acidente ferroviário de domingo provocou pelo menos 42 mortos, tornando-se um dos mais graves dos últimos anos em Espanha. As autoridades continuam a investigar as circunstâncias do desastre e eventuais falhas nos sistemas de segurança e comunicação.
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