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A Ucrânia admitiu que o drone marítimo que explodiu no porto romeno de Constança, no Mar Negro, era seu. O dispositivo terá perdido o controlo devido à interferência eletrónica russa.

O drone "foi afetado pelos sistemas de guerra eletrónica do inimigo, perdeu o controlo e acabou junto à costa romena", afirmou a Marinha ucraniana no Facebook.

O presidente da Roménia, Nicușor Dan, afirmou no X que estão a ser investigadas as circunstâncias em que o drone chegou ao porto e possíveis riscos adicionais. Este é o segundo incidente de segurança recente na costa romena, depois da descoberta de uma mina marítima na mesma região.

O caso ocorre num contexto de maior tensão no Mar Negro e a Roménia, enquanto membro da NATO, sublinha que continuará a reforçar a cooperação com os aliados e a proteger a sua segurança e interesses nacionais.

Importa lembrar que também, a semana passada, durante um ataque russo contra infraestruturas portuárias ucranianas no Danúbio, um drone carregado com explosivos entrou no espaço aéreo romeno, membro da NATO e da União Europeia, e atingiu um prédio residencial na cidade de Galați, perto da fronteira com a Ucrânia. O impacto provocou um incêndio no 10.º andar do edifício, feriu duas pessoas e obrigou à evacuação de cerca de 70 moradores. As autoridades romenas confirmaram que o drone era de origem russa.

Embora já tenham ocorrido anteriormente quedas de drones ou destroços em países da NATO, incluindo Roménia, Polónia e os países bálticos, esta foi a primeira vez desde o início da guerra que civis romenos ficaram feridos. Depois de expostas as limitações atuais da NATO na defesa contra drones de baixa altitude em zonas fronteiriças, a Roménia pediu formalmente mais sistemas anti-drone e reforço das capacidades de defesa aérea da NATO.

Ao longo da guerra, vários drones já caíram em países da NATO na Europa de Leste. Nos últimos meses, drones usados pela Ucrânia contra alvos russos acabaram por cair na Lituânia, Estónia e Letónia. Em maio, o governo letão chegou mesmo a cair devido à polémica sobre a forma como lidou com estes incidentes. Há poucos dias, Kiev pediu desculpa depois de um drone ucraniano ter sido abatido sobre a Estónia. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Heorhy Tykhy, acusou a Rússia de desviar deliberadamente drones ucranianos para o espaço báltico através de guerra eletrónica.

Já em abril, fragmentos de dois drones foram encontrados na mesma região romena de Galați após um ataque russo contra a Ucrânia. Moscovo nunca confirmou se eram seus. Depois de ser convocado pelo governo romeno, o embaixador russo em Bucareste, Vladimir Lipaev, sugeriu que os incidentes poderiam tratar-se de “provocações ucranianas” ou drones desviados pela própria Ucrânia.

Os danos no edifício foram significativos e as autoridades admitem que a tragédia podia ter sido muito pior. Segundo o exército romeno, se o drone tivesse atingido o prédio alguns andares mais abaixo, o número de vítimas poderia ter sido muito superior. O presidente romeno, Nicușor Dan, classificou o episódio como “o mais grave incidente de segurança em território romeno desde o início da guerra” e acusou diretamente Moscovo de violar o direito internacional e colocar em risco cidadãos de um país da NATO. Nicușor Dan convocou imediatamente uma reunião de emergência do Conselho Supremo de Defesa Nacional, chamou o embaixador russo e anunciou que Bucareste irá preparar medidas diplomáticas proporcionais à gravidade do incidente.

A UE tem tido uma enorme dificuldade em defender cidades fronteiriças como Galați, localizada a apenas 14 quilómetros da Ucrânia, junto ao rio Danúbio e perto dos portos ucranianos de Reni e Izmail, frequentemente alvo de bombardeamentos russos. Ao contrário da Ucrânia, a Roménia não é uma zona de guerra, mas é um dos principais membros da NATO no flanco leste da aliança. Isso cria um problema complexo para os aliados: proteger o território romeno sem entrar diretamente no conflito.

 Os militares romenos explicaram que os F-16 destacados para responder à incursão tinham apenas cerca de quatro minutos para agir enquanto o drone permanecia em espaço aéreo romeno. O general romeno Gheorghe Maxim afirmou que o drone voava muito baixo e que os sistemas anti-drone disponíveis, fornecidos pelos Estados Unidos, seriam demasiado perigosos para utilizar sobre uma zona urbana densamente habitada.

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou que a aliança está pronta para defender “cada centímetro do território aliado” e classificou o comportamento russo como “um perigo para todos”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que a guerra russa “ultrapassou mais uma linha vermelha”, enquanto Kaja Kallas afirmou que Moscovo “já deixou há muito de respeitar fronteiras”. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, condenou a “escalada irresponsável” da Rússia em território europeu.

O ataque aconteceu poucos dias depois do presidente checo, Petr Pavel, antigo general e ex-chefe do comité militar da NATO, ter defendido publicamente uma resposta mais dura à Rússia. Numa entrevista ao Guardian, Petr Pavel afirmou que Moscovo testa constantemente os limites da NATO através de provocações abaixo do limiar do Artigo 5.º, e explora a lentidão e divisão política da aliança. A Rússia “não entende linguagem suave; entende linguagem de força”. Petr Pavel sugeriu medidas “assimétricas” contra Moscovo, incluindo reforço de sanções, ataques a infraestruturas digitais e até o eventual abate de aeronaves russas que violem espaço aéreo aliado.

*Parte deste texto foi publicado inicialmente na newsletter Isto é útil de de 29 de maio

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