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O país apresentou o pedido de adesão em 2009, na sequência da crise financeira que atingiu fortemente famílias e empresas. Alguns anos depois, um Governo de centro-direita suspendeu o processo, argumentando que a adesão poderia significar uma perda de controlo sobre as águas territoriais de pesca e sobre a soberania do país.
A atual coligação governamental, liderada pelos sociais-democratas, defende a retoma das negociações. A primeira-ministra, Kristrún Frostadóttir, argumenta que um voto favorável não significa necessariamente uma decisão de adesão, mas permite perceber quais seriam as condições de um eventual acordo com a UE. Caso a proposta seja aprovada, haverá posteriormente um segundo referendo para decidir se o país avança formalmente para a adesão, de acordo com a CNN.
A economia é um dos principais temas da campanha. Os defensores da retoma das negociações consideram que a entrada na zona euro poderia trazer maior estabilidade e novas oportunidades de investimento, numa altura em que a coroa islandesa é considerada volátil. Entre os potenciais benefícios apontados estão também apoios à agricultura do Ártico, empréstimos para infraestruturas e uma maior integração na investigação académica.
Do outro lado, os opositores receiam sobretudo perder capacidade de decisão sobre os recursos do país. A pesca, que representa cerca de 6,5% do Produto Interno Bruto islandês, é um dos pontos centrais da discussão, perante a possibilidade de embarcações estrangeiras passarem a ter acesso às águas de pesca da Islândia.
Apesar de a economia islandesa apresentar um elevado rendimento por habitante e baixas taxas de desemprego, o país enfrenta um custo de vida elevado e os efeitos da volatilidade da moeda. Os defensores da adesão consideram que a entrada na UE poderia trazer mais estabilidade e concorrência à economia; os opositores defendem que o controlo nacional dos recursos foi precisamente uma das bases da prosperidade do país.
A questão europeia ganhou também uma dimensão geopolítica. As ações da administração norte-americana de Donald Trump em relação à Gronelândia voltaram a colocar a segurança no Ártico no centro do debate europeu. A Islândia não tem exército nem Ministério da Defesa, mas integra a NATO e o Espaço Económico Europeu e faz parte do espaço Schengen.
As sondagens indicam uma disputa renhida. Segundo dados da Gallup citados no texto, 51,5% dos eleitores que tinham uma posição definida eram favoráveis à retoma das negociações com a UE, enquanto 48,5% eram contra. Uma pequena percentagem permanecia indecisa.
Se os islandeses votarem a favor, as negociações para um eventual acordo de adesão poderão durar cerca de 18 meses, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros do país.
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