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De acordo com o relatório, a procura de melhores perspetivas profissionais é o principal motivo apontado por 37% dos inquiridos, seguida do descontentamento com a situação política, fiscal e social do país.
A tendência é especialmente acentuada entre os mais jovens: 73% dos portugueses entre os 18 e os 24 anos dizem ponderar emigrar, um aumento de nove pontos percentuais em relação a 2024. Já entre os inquiridos com ensino superior, a intenção de partir (35%) é superior à daqueles que não têm esse grau académico (29%).
“O estudo destaca que não estamos a conseguir sequer abrandar a tendência de emigração de uma parte substancial das nossas gerações mais novas, e em particular das pessoas com maior nível de qualificação”, sublinha Eduardo Bicacro, Managing Director & Partner da BCG.
“Isto está diretamente relacionado com a gradual perda de competitividade dos salários em Portugal, que nos expõe particularmente neste tipo de talento que encontra mais facilmente soluções lá fora”, acrescenta.
O responsável sublinha, contudo, que o problema não é apenas salarial. “Nem tudo se resume à remuneração. Existem outros atributos que os profissionais valorizam e que influenciam a sua preferência por outros mercados: a autonomia que lhes é dada, o respeito pelo equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal e a flexibilidade horária são aspetos em que estamos ainda atrás de alguns mercados na Europa e noutros continentes, que continuam a atrair o nosso melhor talento”, refere.
Autonomia e equilíbrio entre vida pessoal e profissional ganham peso
O estudo revela também uma mudança nas prioridades dos trabalhadores portugueses. Excluindo a remuneração, a autonomia e responsabilidade (26%) e o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional (25%) surgem como os fatores mais valorizados, ambos com uma subida de dois pontos percentuais face a 2024.
Outros aspetos destacados foram a flexibilidade de horário (23%), o ambiente de trabalho saudável e colaborativo (22%) e as relações interpessoais (18%). Em contrapartida, o propósito do trabalho (13%), a flexibilidade de local (10%) e os benefícios adicionais (5%) têm menor importância.
Trabalho presencial domina, mas há desejo por mais flexibilidade
O modelo de trabalho 100% presencial continua a ser o mais comum, abrangendo 72% dos inquiridos. No entanto, mais de 60% dos que se encontram nesta situação afirmam que prefeririam um regime mais remoto — parcial ou totalmente. Atualmente, apenas 10% dos portugueses trabalham totalmente à distância, embora 25% digam preferir esse modelo.
Diversidade é essencial para 80% dos trabalhadores
A diversidade no local de trabalho também é um valor amplamente reconhecido: 80% dos portugueses consideram importante ou muito importante trabalhar em equipas diversas, e 17% classificam este aspeto como “essencial”. Apenas 6% dos participantes afirmaram não lhe atribuir relevância.
O Consumer Sentiment Survey 2025 inquiriu 1.000 portugueses em todo o território continental, em agosto deste ano, com o objetivo de compreender o sentimento e as expectativas face ao mercado de trabalho e ao consumo.
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