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A crise migratória em Ceuta continua a agravar-se, com as autoridades locais a alertarem para uma situação "insustentável" devido ao elevado número de menores que permanecem na cidade autónoma espanhola. Ao mesmo tempo, a polémica chegou a Portugal, onde o partido Livre pediu ao Governo que reconsidere a participação de Marrocos na organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030.

O presidente do Governo de Ceuta, Juan Jesús Vivas, afirmou que a cidade acolhe atualmente cerca de 1.100 menores não acompanhados, um número que ultrapassa largamente a capacidade instalada. Segundo o responsável, os centros de acolhimento operam com uma taxa de ocupação equivalente a 2.600% da capacidade considerada crítica, situação que classificou como "insustentável".

Perante este cenário, Vivas apelou ao apoio do Governo espanhol e das restantes comunidades autónomas para redistribuir os menores e aliviar a pressão sobre os serviços de acolhimento. Entretanto, nas redes sociais começaram também a circular mensagens que apelam a uma nova tentativa de entrada massiva em Ceuta no próximo 15 de agosto, aumentando os receios de um novo agravamento da crise.

A situação teve igualmente repercussões em Portugal. O partido Livre enviou uma carta aberta ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, defendendo que o papel de Marrocos na organização do Mundial de 2030 deve ser reavaliado.

Na carta, os deputados acusam Rabat de ter explorado a vulnerabilidade dos migrantes durante a crise em Ceuta e consideram que se tornou "insustentável" manter Marrocos como coorganizador do torneio ao lado de Portugal e Espanha. O partido defende que a decisão deve ter em conta questões relacionadas com os direitos humanos, bem como os impactos políticos e de segurança associados ao evento.

A posição do Livre coincide com iniciativas semelhantes em Espanha, onde o partido Sumar, parceiro da coligação governamental, também pediu uma reavaliação da organização conjunta do Mundial com Marrocos, alegando preocupações relacionadas com a gestão da crise migratória e o respeito pelos direitos humanos.

Entretanto, Madrid continua a trabalhar com as autoridades marroquinas e europeias para gerir a situação em Ceuta, enquanto prosseguem os esforços para identificar e proteger os menores que permanecem na cidade. A crise migratória registada na última semana é considerada uma das mais graves alguma vez vividas naquele enclave espanhol no norte de África.

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