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Segundo dados divulgados pelo Expresso, este indicador significa que estes trabalhadores abandonaram o país ou permanecem em Portugal sem situação laboral regularizada. O ritmo de perda passou de 267 contribuintes estrangeiros por dia, em 2024, para 455 no último ano.
O diretor do Observatório das Migrações, Pedro Góis, considera que os números refletem um aumento das saídas de imigrantes, mas também a passagem de muitos trabalhadores para a economia informal. Perante esta evolução, defende a realização urgente de uma reunião da concertação social.
Em termos absolutos, os cidadãos brasileiros representam o maior número de cessações, com quase 60 mil registos anulados em 2025 e cerca de 100 mil nos últimos dois anos. No entanto, o maior crescimento percentual verificou-se entre trabalhadores oriundos da Índia, Bangladesh, Paquistão e Nepal, cujas saídas quase triplicaram. Entre os cidadãos indianos, as cessações passaram de 5.540 em 2024 para 14.477 em 2025. No conjunto dos países do subcontinente indiano, a Segurança Social perdeu mais de 57 mil contribuintes em dois anos.
Também entre os trabalhadores dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) aumentou significativamente o número de cessações de registos, com mais do dobro de saídas entre cidadãos de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola, enquanto no caso da Guiné-Bissau o número triplicou.
A tendência estendeu-se à maioria das nacionalidades representadas na Segurança Social, registando-se um aumento das cessações em 51 das 59 nacionalidades analisadas.
Representantes de comunidades imigrantes apontam como principais razões para as saídas o agravamento do custo de vida, os baixos salários, as dificuldades nos processos de regularização e reagrupamento familiar, bem como alterações legislativas e um clima de maior incerteza. Segundo o presidente da Casa da Índia, muitos trabalhadores têm optado por emigrar para países como Espanha, Países Baixos, França, Alemanha ou Itália, onde encontram melhores condições salariais e maior estabilidade laboral.
O porta-voz da comunidade do Bangladesh descreve uma tendência semelhante, afirmando que as partidas se tornaram frequentes e que vários estabelecimentos comerciais da comunidade já sentem a redução do número de clientes. Refere ainda que muitos imigrantes perderam a esperança de conseguir o reagrupamento familiar em Portugal, optando por procurar oportunidades noutros países europeus.
Já a presidente da Casa do Brasil considera que parte dos cidadãos brasileiros permanece em Portugal, mas em situação laboral irregular. Segundo a responsável, dificuldades na renovação das autorizações de residência têm levado alguns trabalhadores a perder contratos formais e a integrar a economia informal.
Apesar do aumento das cessações, o saldo entre entradas e saídas de trabalhadores estrangeiros continua positivo. Em 2025, a Segurança Social registou 539.493 novas inscrições de trabalhadores dependentes estrangeiros, uma ligeira diminuição de 0,12% face ao ano anterior. O crescimento das novas entradas foi mais expressivo entre cidadãos dos PALOP, enquanto brasileiros e trabalhadores oriundos do subcontinente indiano registaram uma redução.
De acordo com os dados divulgados, o saldo migratório da Segurança Social mantém-se positivo, embora com tendência decrescente desde 2024. O aumento das saídas poderá refletir-se no valor das contribuições, num contexto em que os trabalhadores estrangeiros representam cerca de um quinto dos contribuintes e, nos últimos dez anos, contribuíram com um saldo positivo de 16,3 mil milhões de euros para os cofres do Estado.
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