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Segundo o The Guardian, os macacos que vivem em Gibraltar desenvolveram o hábito de comer terra como possível forma de aliviar desconfortos gástricos associados à ingestão de comida de origem humana, sobretudo aquela fornecida por turistas.

Uma investigação, conduzida por cientistas que estudaram grupos de macacos-berbere no território, identificou o comportamento de ingestão de solo — conhecido como geofagia — durante observações prolongadas. Segundo os dados recolhidos, os indivíduos com maior contacto com turistas foram também aqueles que mais frequentemente consumiram terra, com picos de comportamento durante a época de maior afluência turística.

Em Gibraltar vivem cerca de 230 macacos distribuídos por oito grupos distintos. Apesar de as autoridades locais fornecerem diariamente fruta, legumes e sementes, os animais recebem regularmente comida de turistas, que varia entre batatas fritas, chocolate, gelados e outros snacks processados. Entre os alimentos observados estão também rebuçados M&M’s, bebidas como Coca-Cola, sumos, pão e massas secas.

As observações, realizadas entre o verão de 2022 e a primavera de 2024, indicam que cerca de um quinto da alimentação dos macacos era composta por comida oferecida por turistas. Os grupos que habitam a zona mais alta do Rochedo, onde a presença de visitantes é mais intensa, apresentaram uma maior dependência destes alimentos e também maior consumo de terra.

Durante o inverno, quando o número de turistas diminui, os investigadores registaram uma redução de cerca de 40% no consumo de comida de origem turística e uma diminuição superior a 30% na ingestão de solo.

A maioria dos macacos procura a chamada terra rossa, um tipo de argila vermelha comum em Gibraltar. Embora a geofagia também ocorra em humanos — especialmente entre mulheres grávidas em algumas regiões do mundo —, os investigadores não encontraram evidências de maior incidência deste comportamento entre fêmeas grávidas ou lactantes nos macacos de Gibraltar, o que sugere que não se trata de uma necessidade nutricional.

Apesar de existirem regras que proíbem os turistas de alimentar ou tocar nos macacos, estas não são devidamente fiscalizadas. Os investigadores alertam ainda para possíveis riscos adicionais, uma vez que parte do solo ingerido se encontra próximo de estradas movimentadas, podendo conter poluentes.

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