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Os títulos da marca conhecida pelas malas Birkin chegaram a cair cerca de 14% no início da sessão, pressionados pela quebra das vendas no Médio Oriente e pela diminuição das compras de turistas em cidades como Paris e Londres. O impacto do conflito faz-se sentir de forma transversal, desde centros comerciais no Dubai até à subida dos preços da energia, que está a penalizar a confiança dos consumidores.
Também o grupo Kering, dono da Gucci, registou uma queda superior a 9%, depois de indicar que a guerra afetou o consumo. A tendência confirma os sinais já avançados pela LVMH, que no início da semana reportou um abrandamento acentuado na região.
Apesar de ser considerada uma das empresas mais resilientes do setor, graças a uma estratégia rigorosa de controlo da produção e das vendas para manter a exclusividade, a Hermès não escapou ao impacto do contexto geopolítico. As ações chegaram a mínimos desde janeiro de 2023, acumulando perdas de cerca de 24% desde o início do ano.
No primeiro trimestre, as vendas cresceram 5,6% em termos ajustados à variação cambial, abaixo dos 7,1% esperados pelos analistas. Segundo o Deutsche Bank, este desempenho aponta para uma estagnação no volume de produtos vendidos, tendo em conta o aumento de preços de cerca de 6% aplicado no início do ano.
O conflito retirou cerca de 1,5 pontos percentuais ao crescimento trimestral das vendas, com a região do Médio Oriente a registar uma quebra de 6%, para 160 milhões de euros. Em março, após um início de ano positivo, verificou-se uma travagem abruta, com quedas de cerca de 40% nas vendas em centros comerciais de luxo no Dubai e noutros mercados do Golfo.
Embora represente apenas 4,4% das receitas, o Médio Oriente tinha sido a região com maior crescimento no ano passado. Ainda assim, o impacto na rentabilidade é, para já, considerado limitado, dependendo da duração da crise.
A valorização do euro surge como outro fator de pressão, tendo reduzido as receitas da empresa em cerca de 290 milhões de euros no trimestre. No total, as vendas reportadas caíram 1%, para 4,07 mil milhões de euros.
A quebra do turismo também está a penalizar o setor. A Hermès registou uma diminuição das vendas em lojas de aeroportos e em mercados europeus como França, Reino Unido, Itália e Suíça, fortemente dependentes de clientes do Golfo. Em França, onde mais de metade das vendas são feitas a turistas, as receitas recuaram 2,8%.
Na Ásia, principal mercado da empresa, o crescimento foi limitado a 3,5%, afetado por perturbações no tráfego aéreo, sobretudo em países como Singapura e Tailândia. Em contraciclo, os Estados Unidos destacaram-se como o mercado mais dinâmico, com um aumento de 17,2% nas vendas.
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