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A reunião, agendada para esta manhã na Casa Branca, surge num momento crítico, em que Lula procura reforçar a sua imagem interna a menos de seis meses das eleições presidenciais, onde se encontra empatado nas sondagens com Flávio Bolsonaro.
Apesar da admitida afinidade pessoal, o fosso ideológico entre os dois líderes é profundo. As relações entre Brasília e Washington atravessam um período turbulento, exacerbado pelas recentes intervenções militares dos EUA. Lula condenou veementemente a queda de Nicolás Maduro na Venezuela e a guerra contra o Irão (onde os EUA combatem ao lado de Israel), acusando Trump em 2025 de querer ser o "imperador do mundo".
Em outubro passado, os países deram sinais de reaproximação quando Washington levantou sobretaxas punitivas aplicadas ao Brasil em resposta ao processo judicial de Jair Bolsonaro (atualmente a cumprir 27 anos de prisão).
A segurança é a prioridade dos eleitores brasileiros e o ponto central da agenda. O governo brasileiro, representado também pelo ministro das Finanças, Dario Durigan, pretende reforçar a cooperação contra o crime organizado.
O encontro servirá também para discutir dossiês económicos estratégicos. Os EUA têm elevado interesse nas reservas brasileiras de terras raras (as segundas maiores do mundo). O Brasil, contudo, condiciona o investimento estrangeiro à criação de emprego qualificado e industrialização local.
Washington investiga também o sistema de pagamentos Pix. As autoridades norte-americanas suspeitam de práticas comerciais desleais, alegando que a gratuitidade e o sucesso do sistema (7 mil milhões de transações em janeiro) prejudicam a competitividade das empresas dos EUA.
Aos 80 anos e politicamente enfraquecido por derrotas no Parlamento, Lula joga nesta deslocação oficial uma cartada fundamental para recuperar fôlego político frente à oposição.
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