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Lisboa surge como o centro mais dinâmico e valorizado do país. É onde se concentram mais funções qualificadas e de liderança, com 37,5% dos trabalhadores a serem especialistas e 45,8% a ocuparem quadros superiores ou funções de chefia, muito acima da média nacional (29,5%). Essa maior qualificação está associada a salários mais elevados, com a capital a ser a única região onde o rendimento médio líquido ultrapassa os 1.400 euros mensais, fixando-se nos 1.469 euros. Em comparação, no Algarve esse valor desce para 1.177 euros. Quando se analisam salários declarados, a diferença torna-se ainda mais expressiva: trabalhar em Lisboa pode significar mais 525 euros por mês do que no Baixo Alentejo, o que equivale a quase três salários adicionais por ano.

Mas este posicionamento mais valorizado também traz maior intensidade laboral. Em Lisboa, 21,5% dos trabalhadores ultrapassam as 40 horas semanais, refletindo o peso de funções mais exigentes e de maior responsabilidade.

No resto do país, o cenário muda bastante. O Norte (32,6%) e o Centro (29,9%) mantêm uma forte base industrial, com 15,9% do emprego em indústrias transformadoras a nível nacional, e uma maior concentração em horários padrão — 59,1% dos trabalhadores no Norte fazem entre 36 e 40 horas semanais. Já o Algarve (14,6%) e a Madeira (14,2%) estão muito dependentes do turismo, sobretudo alojamento e restauração, o que introduz maior sazonalidade. No Alentejo, destaca-se a dependência da administração pública, que representa 12,7% do emprego regional.

Estas diferenças estruturais ajudam a explicar também as desigualdades ao nível das qualificações. Nos Açores, apenas 18,9% dos trabalhadores são especialistas e a proporção de cargos de chefia desce para 1,6%, enquanto na Madeira é de 2,0%, valores bastante inferiores à média nacional de 4,0%. Estas regiões apresentam também uma maior percentagem de trabalhadores não qualificados, chegando aos 14,1% nos Açores, 13,9% na Madeira e 12,0% no Alentejo.

O desemprego também não é homogéneo. A taxa de desemprego de longa duração situa-se nos 36,8% a nível nacional, mas sobe para 43,5% no Alentejo e 41,7% no Norte. Em contraste, o Centro regista 5% de desemprego total e 30,8% de longa duração, abaixo da média nacional. Já o Algarve apresenta 24,2% de desemprego de longa duração, refletindo a forte influência da sazonalidade.

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