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As obras vão voltar à Linha do Minho. Três anos depois da modernização, há 26 estações e apeadeiros que terão plataformas prolongadas para que finalmente os comboios Intercidades e Interregionais caibam nas plataformas. As obras estarão a cargo da Infraestruturas de Portugal (IP), que finalmente irá proporcionar condições para o desembarque seguro dos passageiros servidos pela CP.

Haverá mexidas em praticamente todas as estações e apeadeiros entre Carreira e Valença – Viana do Castelo fica de fora, para já, à espera de outros planos. “Foi celebrado um acordo entre a Infraestruturas de Portugal (IP) e a Comboios de Portugal (CP) que estabelece que as plataformas das estações com serviço Intercidades (IC) devem possuir um comprimento de 220 metros, sendo fixado o comprimento de 150 metros para as restantes”, refere o Ministério das Infraestruturas e Habitação em resposta ao deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, tornada pública na sexta-feira, 20 de março.

Com 220 metros de comprimento, as plataformas das estações de Barcelos, Barroselas, Viana do Castelo, Âncora-Praia, Caminha, Vila Nova de Cerveira e Valença poderão receber uma locomotiva e até nove carruagens do serviço Intercidades. Com 150 metros de comprimento, caberá um comboio regional com uma locomotiva e seis carruagens. O dado importa porque os comboios regionais da Linha do Minho passarão a ser feitos com máquina e carruagem assim que as automotoras da série 2240, de três carruagens cada, passarem para a Linha do Algarve, que aguarda o arranque da operação debaixo de catenária.

Problemas atuais

No âmbito da eletrificação e modernização da Linha do Minho, entre janeiro de 2017 e maio de 2023, a IP mexeu nas plataformas mas deixou-as demasiado pequenas para os passageiros entrarem e saírem do comboio sem problemas. Por exemplo, nos apeadeiros de Afife, Âncora-Praia e Moledo do Minho, a locomotiva 2600 e as três carruagens do serviço interregional não cabem totalmente nos 80 metros de comprimento da plataforma. Em Barroselas, apenas os primeiros 80 metros da plataforma estão à altura do comboio; no resto desta estação, praticamente é necessário um escadote para subir ou descer a bordo.

Normalmente, a situação obriga os passageiros a mudarem de composição para sair nestes locais e o maquinista tem de frenar o comboio com a precisão digna de um relógio suíço para alinhar com a plataforma. Acelera o desgaste do material e a entrada e saída de passageiros demora mais tempo com esta situação. Em ocasiões especiais, com mais carruagens, o comboio teve de parar duas vezes no mesmo local, como na Festa da Senhora da Agonia.

Em seis anos, a IP investiu 83,2 milhões de euros na Linha do Minho , com dois terços de comparticipação vindos de fundos europeus.

O que está previsto

A IP irá “proceder ao prolongamento e alteamento das plataformas existentes”, uniformizando a altura em toda a extensão. Depois da modernização, ficaram cenários para todos os gostos:

  • apeadeiros com plataformas de 80 metros de comprimento em Carreira, Carapeços, Durrães, Areia-Darque, Areosa, Carreço, Afife, Âncora-Praia, Moledo do Minho, Senhora da Agonia, Caminha e Seixas;
  • estações e apeadeiros com diferentes alturas da plataforma, como em Barcelos, Tamel, Barroselas, Senhora das Naves, Alvarães, Darque e Viana do Castelo;
  • plataformas entre 80 e 149 metros de comprimento, como Esqueiro, Gondarém, Vila Nova de Cerveira e Carvalha.

Ainda em 2026, a IP vai mexer nas plataformas das estações de Barcelos, Valença e São Pedro da Torre, além do apeadeiro de Carreira. Os trabalhos nestas estações serão relativamente simples, pois a altura e comprimento das plataformas já estão praticamente uniformizados. Em Carreira, a plataforma será prolongada dos 80 para 150 metros de comprimento.

As restantes estações e apeadeiros serão mexidos “a partir de 2027”. Não há ainda indicação sobre o orçamento necessário para estes trabalhos e qual será o calendário estação a estação.

Viana espera por plano

Sem calendário está a intervenção em Viana do Castelo, a estação que justamente deu mais nas vistas em relação aos problemas com as plataformas. “No dia 23 de fevereiro, no comboio Intercidades proveniente de Valença, muitos passageiros foram obrigados a atravessar a linha a pé na estação de comboios de Viana do Castelo. Segundo a Infraestruturas de Portugal (IP), houve uma troca inesperada de plataforma e a composição foi recebida na Linha I quando deveria ter dado entrada na Linha III”, escreveu o núcleo do Bloco de Esquerda de Viana do Castelo.

Em Viana, a plataforma da linha 3 tem 230 metros de comprimento mas a altura face à linha difere: 68,5 cm em 150 metros de extensão; 40 cm nos restantes. Nas linhas 1 e 2, a plataforma tem 143 metros de comprimento e 68,5 cm de altura em toda a extensão. Depois da intervenção, a plataforma das três linhas será mais comprida e uniforme. Mas ainda será preciso esperar.

“O projeto de execução destinado ao prolongamento das plataformas da estação de Viana do Castelo encontra-se em fase avançada de desenvolvimento, prevendo-se que a respetiva obra seja concretizada no âmbito de uma intervenção mais abrangente, que incluirá trabalhos nas áreas de via, catenária, sinalização e a melhoria das acessibilidades ao centro comercial adjacente”, refere o ministério liderado por Miguel Pinto Luz.

A situação pode ser temporariamente resolvida com a instalação de plataformas provisórias, como aconteceu em Areia-Darque, em 2012, na sequência de obras sobre o rio Lima.

Mesmo que se corrijam as plataformas, há dificuldades que irão persistir. Por exemplo, como a sinalização não tem topo de deslizamento, os comboios fazem a aproximação às estações a 24 km/h em vez de velocidades muito superiores. Resultado: há mais desgaste do material circulante e o tempo de viagem agrava-se. E assim fica mais difícil o comboio ser mais competitivo do que o carro.

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