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A luta contra as espécies invasoras nos Grandes Lagos, na América do Norte, continua a unir políticos, cientistas e o setor das pescas dos Estados Unidos e do Canadá. Segundo uma reportagem da CNN, o combate às lampreias-do-mar, considerado um dos maiores sucessos da gestão ambiental da região, permanece dependente de financiamento público constante, ao mesmo tempo que uma nova ameaça poderá exigir outro grande avanço científico.
No passado mês de junho, vários exemplares de lampreia-do-mar foram levados ao Capitólio, em Washington, numa iniciativa promovida pela Great Lakes Fishery Commission (GLFC). O objetivo foi recordar aos legisladores que esta espécie invasora continua a representar um risco para o ecossistema e para a economia da região, apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas.
Originária do Oceano Atlântico, a lampreia-do-mar entrou no Lago Ontário em meados do século XIX e espalhou-se pelos restantes Grandes Lagos durante a década de 1920. Desde então, provocou uma forte redução das populações de trutas, salmões e peixes-brancos.
O animal fixa-se aos peixes através de uma boca em forma de ventosa, rodeada por anéis de dentes, alimentando-se dos fluidos corporais das suas presas. Cada lampreia pode consumir cerca de 18 quilogramas de peixe ao longo de um período de 12 a 18 meses, enquanto uma única fêmea consegue depositar até 100 mil ovos numa época de reprodução.
Perante esta ameaça, Estados Unidos e Canadá assinaram, em 1954, um tratado que criou a Great Lakes Fishery Commission. Três anos depois surgiu uma solução considerada revolucionária: o desenvolvimento do composto químico TFM, um lampricida capaz de eliminar as larvas da espécie sem causar danos significativos à maioria dos peixes nativos.
Desde então, o tratamento é aplicado todos os anos, entre a primavera e o outono, nos afluentes onde as lampreias se reproduzem. Segundo a comissão, é necessário eliminar cerca de nove milhões de exemplares por ano apenas para impedir uma explosão populacional. A erradicação total continua a ser vista como um objetivo possível no futuro, embora não esteja atualmente ao alcance.
A importância deste trabalho ficou particularmente evidente durante a pandemia de Covid-19. As restrições sanitárias reduziram o número de tratamentos realizados em 2020 e 2021, levando a um aumento de até 300% da população de lampreias em algumas zonas.
Greg McClinchey, diretor de política e assuntos legislativos da GLFC, descreveu esse período como "a experiência proibida". Segundo explicou à CNN, os investigadores sempre defenderam que a interrupção do controlo permitiria o rápido regresso da espécie, mas nunca tinham sido obrigados a comprová-lo na prática.
A comissão estima que este aumento tenha provocado perdas económicas na ordem dos dois mil milhões de dólares, afetando uma atividade que sustenta cerca de 75 mil postos de trabalho ligados à pesca nos Grandes Lagos.
Após o reforço dos tratamentos, a GLFC anunciou, em dezembro de 2025, que as populações de lampreias tinham regressado aos níveis anteriores à pandemia, embora no Lago Superior continuassem acima do desejável.
Além do recurso ao lampricida, a comissão está a testar novas soluções tecnológicas, como barreiras de bolhas, barreiras acústicas e sistemas de bloqueio em barragens. Um dos projetos mais ambiciosos é o FishPass, em construção junto ao rio Boardman, no Michigan, onde um canal equipado com tecnologia de reconhecimento permitirá identificar e impedir automaticamente a passagem das lampreias para montante.
Contudo, a lampreia-do-mar é apenas uma das 186 espécies invasoras identificadas entre cerca de três mil espécies existentes nos Grandes Lagos. Outra das maiores preocupações são os mexilhões-zebra e os mexilhões-quagga, introduzidos na década de 1980 através da água de lastro dos navios comerciais.
Estas espécies alteram profundamente o ecossistema ao consumirem nutrientes e plâncton essenciais para a cadeia alimentar, o que prejudica também os mexilhões nativos e favorece a proliferação de algas tóxicas. Segundo Figliomeni, os mexilhões invasores causaram mais prejuízos à atividade piscatória do que praticamente qualquer outro problema na região.
Atualmente não existe um método seguro para eliminar estes moluscos dos Grandes Lagos. Por esse motivo, encontra-se em apreciação no Congresso norte-americano a proposta legislativa "Save Great Lakes Fish Act of 2025", que prevê um investimento de 500 milhões de dólares ao longo de dez anos para desenvolver uma solução.
O comité consultivo norte-americano e canadiano da GLFC aprovou por unanimidade uma resolução de apoio ao diploma e apelou ao Congresso que avance com a legislação.
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