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O artista vai subir ao palco da Gazprom Arena nos dias 10 e 11 de outubro. Os fãs russos correram para comprar bilhetes depois de os concertos terem sido anunciados na segunda-feira. De acordo o The Guardian, quase todos os bilhetes mais caros, com preços superiores a 1500 euros, foram vendidos nas primeiras horas. Ao final do dia, também os bilhetes mais baratos, de cerca de 90 euros, estavam esgotados.
A possibilidade de Ye atuar na Rússia era especulada há vários anos. Os rumores intensificaram-se em 2024, quando o rapper viajou até Moscovo para participar nas celebrações do aniversário do designer de moda russo Gosha Rubchinskiy, seu colaborador de longa data.
Nos últimos anos, Ye tem estado envolvido em várias polémicas devido a declarações antissemitas e manifestações de simpatia pelo nazismo, que acabaram por se sobrepor à sua carreira musical e levaram alguns países e salas de espetáculos a questionar a possibilidade de receberem a sua digressão.
O rapper chegou a usar imagens nazis, tendo vendido camisolas com suásticas e lançado uma música intitulada "Heil Hitler". Mais tarde, tentou recuperar a sua imagem pública, publicando um anúncio de página inteira no Wall Street Journal, no qual pediu desculpa pelo comportamento antissemita e falou sobre as dificuldades relacionadas com a saúde mental. "Não sou nazi nem antissemita. Amo os judeus", escreveu.
Os concertos em São Petersburgo poderão também gerar contestação dentro da Rússia. Ativistas conservadores têm procurado limitar a influência cultural ocidental no país, onde manifestações de apoio ao nazismo podem resultar em penas de prisão prolongadas.
O deputado Nikolay Novichkov já pediu uma investigação às declarações anteriores de Ye em elogio a Adolf Hitler, incluindo uma afirmação de 2022 em que disse existirem "coisas boas" no líder nazi. O político defendeu ainda que os concertos sejam cancelados caso o rapper não manifeste publicamente "apoio moral à Rússia e à operação militar especial".
A atuação de Ye poderá, ainda assim, ser aproveitada pelo Kremlin para reforçar a mensagem de que a Rússia continua ligada ao exterior, apesar das sanções internacionais e dos apelos a boicotes culturais.
Nos últimos anos, outros artistas ocidentais, como Lil Pump, Flo Rida e Jason Derulo, também atuaram na Rússia.
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