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O concerto começou com 45 minutos de atraso em relação à hora prevista e prolongou-se durante cerca de duas horas. Ao longo do espetáculo, Kanye West interpretou músicas de vários dos seus álbuns, perante um público maioritariamente jovem que acompanhou de forma efusiva os temas e cantou os refrões, segundo a Agência Lusa.
Entre as músicas interpretadas estiveram "American Boy", "I Can't Wait", "Stronger" e "Gold Digger". O artista cantou ainda uma música com a filha, North West.
A atuação no Estádio Algarve, em Loulé, aconteceu no âmbito de uma nova digressão internacional associada ao álbum "Bully", o 12.º álbum de estúdio do rapper, editado em março passado.
Este foi o terceiro concerto de Kanye West em Portugal. O músico estreou-se no país em 2006, no Cool Jazz Fest, em Oeiras, e regressou em 2011, para atuar no festival Sudoeste, na Zambujeira do Mar.
Kanye West lançou o primeiro álbum, "The College Dropout", em 2004, seguindo-se trabalhos como "Late Registration", de 2005, "Graduation", de 2007, e "My Beautiful Dark Twisted Fantasy", de 2011, que venceu o Grammy de Melhor Álbum Rap. Em 2019, depois de mudar o nome artístico para Ye, editou o álbum de gospel "Jesus Is King".
Porque esteve o concerto em risco de ser cancelado?
A realização do concerto tinha sido contestada pelo embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat, que pediu o seu cancelamento e classificou como "uma vergonha" para Portugal a participação de Kanye West num espetáculo no país.
Numa mensagem em vídeo divulgada nas redes sociais na quinta-feira, o diplomata criticou declarações feitas pelo artista nos últimos anos, incluindo afirmações de teor antissemita, teorias da conspiração sobre a comunidade judaica e declarações de apologia ao nazismo.
Oren Rozenblat afirmou que Kanye West tinha declarado publicamente "eu gosto de Hitler" e "eu sou um nazi", além de ter defendido que "a escravatura foi uma escolha". Para o embaixador, estas declarações constituem "um discurso de ódio" e ofenderam "milhões de descendentes das vítimas da escravatura".
O diplomata defendeu que Portugal deveria seguir o exemplo de países como a Austrália, que revogou o visto do artista, e o Reino Unido, onde foi impedido de entrar. Referiu ainda França, Polónia, Suíça e Eslováquia como países onde concertos de Kanye West foram cancelados.
O embaixador israelita disse ter falado diretamente com o presidente da Câmara Municipal de Faro, a quem pediu que cancelasse o evento ou apelasse aos cidadãos de Faro para não estarem presentes.
Rozenblat sublinhou que a questão, na sua perspetiva, não estava relacionada com a política de Israel, mas com o apoio a um artista que promove a discriminação. "Ninguém é obrigado a concordar com Israel. Essa não é a questão", afirmou, questionando se o público assistiria ao concerto caso o artista promovesse o ódio contra pessoas negras, muçulmanas, cristãs ou LGBT.
O diplomata considerou que o facto de Kanye West atuar num estádio que pertence aos municípios de Faro e Loulé deveria constituir "uma linha vermelha numa sociedade democrática". Apesar dos apelos ao cancelamento, o concerto realizou-se esta sexta-feira.
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