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A Justino’s prepara o lançamento do seu primeiro espumante, um projeto que começou a ser desenhado há cerca de dois anos e que chegará ao mercado em 2027, numa edição limitada de apenas 1300 garrafas.
A ideia nasceu de uma pergunta simples: se a Madeira tem algumas das características naturais mais procuradas para a produção de espumantes, por que razão demorou tanto tempo a explorar esse caminho?
Para o enólogo Nuno Duarte, a resposta está precisamente na natureza da região. "A Madeira é uma região de pouca maturação, ligada a uma região de brancos mais frescos e inevitavelmente de espumantes", explica ao 24notícias. A elevada acidez natural das uvas e a menor concentração de açúcar resultante das condições atlânticas criam, segundo o responsável, uma base ideal para este tipo de vinho.
"A acidez elevada e a falta de maturação são dois ingredientes para se pensar em fazer bolhas", sublinha Nuno Duarte, defendendo que a Madeira reúne "condições únicas para produzir espumantes com frescura, equilíbrio e capacidade de envelhecimento".
O novo vinho da Justino’s nasce de uma seleção rigorosa de parcelas e de um trabalho pensado ao detalhe desde a vinha até ao lote final. A composição reúne quatro castas do arquipélago: Verdelho e Folgasão, provenientes da Madeira, e Moscatel e Listrão, vindas do Porto Santo.
O resultado será um espumante com uma divisão simbólica entre os dois territórios, 50% de castas madeirenses e 50% de castas portosantenses. Mais do que uma mistura de variedades, a intenção é criar uma ligação entre duas geografias distintas, mas unidas pela influência atlântica.
"A Madeira é uma região de pouca maturação, ligada a uma região de brancos mais frescos e inevitavelmente de espumantes"Nuno Duarte, enólogo
A escolha das parcelas foi uma das etapas fundamentais do projeto. A equipa procurou encontrar uvas capazes de transmitir não apenas frescura e estrutura, mas também a personalidade dos solos insulares onde nasceram.
A estreia de uma casa histórica num novo caminho
Este será o primeiro espumante da Justino’s e, segundo a empresa, também o primeiro espumante produzido por uma casa de vinhos da Madeira.
A decisão representa uma mudança de direção dentro da casa, mas mantém uma lógica ligada à própria história da região. Para Nuno Duarte, não se trata de criar um vinho afastado da identidade madeirense, mas antes de revelar uma característica que sempre esteve presente.
"Foi pelo facto de acreditar que a Madeira é dos melhores locais com condições naturais para fazer este tipo de vinho", afirma o enólogo.
A aposta ganhou força através da parceria com a Moscadinha, empresa que já tinha experiência na produção de espumantes de sidra. A colaboração permitiu transportar conhecimento e tecnologia para a Justino’s, dando início ao processo de espumantização deste novo vinho.
"Queremos um espumante com aromas mais neutros, para que possamos desfrutar da parte atlântica que se prevê que possa evidenciar"
"Como o nosso parceiro da Moscadinha tem feito bons espumantes de sidra e decorrente da nossa parceria, a tecnologia usada foi a que eles já têm. Trouxemos o material de espumantização para a Justino’s e fizemos a operação", explica Nuno Duarte.
Um método tradicional para preservar a identidade atlântica
A elaboração deste espumante segue o método tradicional, com um processo de vinificação pensado para respeitar a matéria-prima e a expressão das castas.
A base do vinho foi vinificada em conjunto, com cacho inteiro em prensa, fermentação espontânea e fermentação malolática. Depois, já na fase de espumantização, realizou-se a segunda fermentação em garrafa, seguindo-se um período prolongado de estágio.
O vinho permanecerá 24 meses sobre as borras antes de ser apresentado ao mercado, um tempo pensado para acrescentar complexidade, textura e profundidade ao resultado final.
A ambição é clara, criar um espumante Reserva, com capacidade de envelhecimento e longevidade, sustentado pelas características naturais das uvas utilizadas, nomeadamente o pH baixo e a elevada acidez.
Um vinho feito para a mesa
A Justino’s não procura criar apenas um espumante de celebração. A intenção é apresentar um vinho gastronómico, capaz de acompanhar diferentes momentos à mesa e onde a componente atlântica seja a principal assinatura.
"Queremos um espumante com aromas mais neutros, para que possamos desfrutar da parte atlântica que se prevê que possa evidenciar", explica Nuno Duarte.
A expectativa é que a frescura, a mineralidade e a tensão natural das castas sejam os elementos dominantes, num vinho onde o território fale tanto quanto a técnica.
Com apenas 1300 garrafas produzidas, o primeiro espumante da Justino’s nasce como uma edição exclusiva, mas também como uma declaração de intenções: mostrar que a Madeira, além dos seus vinhos históricos, tem ainda novos caminhos por explorar.
Em 2027, quando as primeiras garrafas chegarem ao mercado, será possível perceber se o Atlântico que molda as vinhas da Madeira e do Porto Santo também encontra nas bolhas uma nova forma de expressão.
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