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O cantor abriu o espetáculo num cenário inspirado numa vila tradicional porto-riquenha, montado no relvado do estádio. Rodeado por dezenas de bailarinos, percorreu o palco com coreografias elaboradas, num ambiente que recriava a vida e a cultura da ilha. O conceito visual foi um dos pontos altos da atuação, elogiado pela crítica e pelos fãs.
A escolha de Bad Bunny para protagonizar o espetáculo do intervalo do Super Bowl começou a gerar polémica ainda meses antes de o cantor subir ao palco. Quando a NFL anunciou, no final de setembro, que o artista porto-riquenho — crítico assumido das políticas migratórias de Donald Trump — seria o protagonista, a reação do universo conservador e do movimento MAGA foi imediata.
Cinco dias depois do anúncio, a então secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, atacou publicamente a decisão da liga. “Eles são fracos, não sabem no que acreditam. Nós vamos ganhar”, afirmou num podcast, acrescentando que a NFL “não vai conseguir dormir à noite”.
Também Corey Lewandowski, conselheiro do Departamento de Segurança Interna e figura próxima de Trump, classificou a escolha como “vergonhosa”.
“Escolheram alguém que parece odiar tanto a América para os representar”, disse, na mesma entrevista.
O próprio Donald Trump juntou-se às críticas, classificando Bad Bunny como uma “péssima escolha” e acusando a NFL de promover “ódio” ao convidar o músico para liderar o espetáculo mais visto do ano.
As surpresas da noite
Entre as maiores surpresas da noite estiveram Lady Gaga e Ricky Martin, que se juntaram a Bad Bunny em momentos-chave do medley musical. Lady Gaga cantou o tema original “Die with a Smile”, e Ricky Martin, uma interpretação da canção “Lo que le pasó a Hawaii” de Bad Bunny — um alerta a Porto Rico sobre a história do Havaí.
Além dos artistas convidados, vários rostos conhecidos surgiram discretamente entre os bailarinos e figurantes. Pedro Pascal, Cardi B, Karol G e Jessica Alba estiveram entre os famosos identificados pelo público mais atento. Também houve espaço para atletas, como o jogador de basebol Ronald Acuña Jr. e os pugilistas Emiliano Vargas e Xander Zayas.
O alinhamento do espetáculo percorreu vários momentos da carreira de Bad Bunny, misturando sucessos antigos com temas recentes:
- “Tití Me Preguntó”
- “Yo Perreo Sola”
- “Safaera”
- “Eoo”
- “Die with a Smile” (com Lady Gaga)
- “Baile Inolvidable”
- “NUEVAYoL”
- “Lo que le pasó a Hawaii”
- “El Apagón”
- “CAFé CON RON”
- “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”
Apesar de manter quase todo o espetáculo em espanhol, Bad Bunny optou por incluir uma breve mensagem em inglês num dos momentos centrais da atuação. Antes de uma sequência dedicada ao continente americano, o artista declarou: “Deus abençoe a América”.
De seguida, começou a enumerar países da América Central, do Sul e do Norte, enquanto bailarinos atravessavam o palco transportando as respetivas bandeiras. Ao fundo do palco, um painel luminoso exibia a mensagem: “A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor”.
No final do segmento, Bad Bunny segurou uma bola de futebol americano com o lema “Juntos, somos a América”.
Um casamento real em pleno espetáculo
Um dos momentos mais comentados da noite foi a breve cena de um casamento no meio da atuação. Segundo a revista Variety, o casamento foi real. Um casal aproveitou o palco do Super Bowl para se unir oficialmente, enquanto Bad Bunny passava a dançar junto deles.
Um Super Bowl marcado por contexto político
Esta edição do Super Bowl decorreu num clima político tenso nos Estados Unidos. Bad Bunny tem sido uma das vozes mais críticas da política migratória da administração Trump, nomeadamente do reforço das operações do ICE (serviços de imigração).
Na cerimónia dos Grammy de 2026, dias antes do jogo, o artista foi claro: “Antes de agradecer a Deus, digo: fora ICE. Somos humanos. Somos americanos”.
Essa declaração reacendeu o debate sobre a possibilidade de um gesto político no Super Bowl — algo que muitos espectadores esperavam. Embora o espetáculo não tenha incluído um discurso direto, vários elementos simbólicos foram interpretados como mensagens de inclusão, diversidade e resistência cultural.
Durante a sua última digressão mundial, Bad Bunny optou por não atuar nos Estados Unidos continentais, receando que os seus concertos fossem alvo de operações migratórias.
Depois do anúncio do Super Bowl, houve receios de presença reforçada do ICE no estádio, embora autoridades locais tenham garantido que não existiriam ações desse tipo durante o evento.
A resposta conservadora: Kid Rock e o “All American Halftime Show”
Em paralelo, a organização conservadora Turning Point USA, fundada por Charlie Kirk, promoveu um espetáculo alternativo, liderado por Kid Rock, apelidado de “All American Halftime Show”.
O evento foi apresentado como uma celebração de “fé, família e liberdade” e contou com artistas country como Brantley Gilbert, Lee Brice e Gabby Barrett. O objetivo era criar uma alternativa ao espetáculo de Bad Bunny, visto por sectores conservadores como demasiado politizado.
Críticas de Trump: “Uma afronta à grandeza da América”
Sem surpresa, Donald Trump reagiu de forma dura ao espetáculo de Bad Bunny. O Presidente dos EUA não esteve presente no estádio, tendo acompanhado o Super Bowl a partir de uma festa privada na Florida, mas recorreu à sua rede social, Truth Social, para atacar a atuação.
Num longo texto, Trump classificou o espetáculo como “absolutamente terrível” e “um dos piores de sempre”, acusando-o de não representar os valores americanos.
“Ninguém percebe uma palavra do que este tipo está a dizer e a dança é nojenta, especialmente para as crianças que estão a assistir nos EUA e em todo o mundo”, afirmou.
Trump foi mais longe, considerando o espetáculo uma “bofetada na cara” do país, num momento em que, segundo ele, os Estados Unidos vivem um período de prosperidade.
“Vai receber grandes críticas dos Fake News Media, porque eles não têm a mínima ideia do que se passa no mundo real”, acrescentou.
Vários dirigentes do Partido Democrata defenderam que Bad Bunny representa uma ponte entre diferentes comunidades latinas. A deputada Alexandria Ocasio-Cortez considerou o momento “um ponto de viragem”. Outros responsáveis sublinharam a capacidade do cantor para unir públicos de origens muito diversas.
Um momento histórico para a comunidade latina
A meio da atuação, Bad Bunny protagonizou um dos momentos mais simbólicos da noite ao entregar um prémio Grammy a um menino latino. De joelhos, afagou-lhe a cabeça e disse-lhe em espanhol: “Acredita sempre em ti”.
Quase de imediato, começaram a circular nas redes sociais rumores de que a criança seria Liam Conejo Ramos, um menino imigrante que se tornou conhecido nas últimas semanas nos Estados Unidos por ter sido detido pelos agentes de imigração, em Minneapolis. No entanto, essa informação revelou-se falsa. Um porta-voz do artista esclareceu à NPR que o rapaz não era Liam, confirmação reforçada também por representantes da família.
Bad Bunny tornou-se o primeiro artista latino masculino a liderar sozinho o espetáculo do intervalo. Com um repertório maioritariamente em espanhol, levou ao palco principal da NFL uma identidade cultural raramente vista com tanta centralidade.
O artista, cujo nome verdadeiro é Benito Antonio Martínez Ocasio, já tinha participado no Super Bowl em 2020 ao lado de Shakira e Jennifer Lopez, mas esta foi a primeira vez que assumiu o protagonismo absoluto.
Em 2025, foi o artista mais ouvido do Spotify e, em 2026, venceu o Grammy de Álbum do Ano.
Música, política e identidade
Apesar das expectativas, Bad Bunny manteve-se discreto antes do espetáculo. “Vai ser uma grande festa”, disse dias antes. “Quero levar a minha cultura ao palco, mas sem spoilers”.
No final, cumpriu a promessa: entregou um espetáculo vibrante, culturalmente afirmativo e carregado de significado.
Para muitos analistas, o espetáculo foi mais do que entretenimento. Representou a consolidação de Bad Bunny como figura central da cultura pop global e como símbolo de uma geração latina que exige visibilidade, respeito e voz política.
“Não há cenário em que ele não tenha uma mensagem”, resumiu o congressista Robert Garcia. “Há momentos que unem uma comunidade. Este foi um deles”.
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