Segundo informação divulgada esta terça-feira pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), e noticiada pelo Jornal de Notícias, os factos ocorreram entre 3 e 7 de fevereiro de 2025, durante uma conferência internacional realizada na Escola da Base Naval do Alfeite, que reuniu cerca de 300 participantes, maioritariamente militares, para o planeamento do maior exercício mundial dedicado à experimentação robótica de sistemas não tripulados (REP-MUS).
De acordo com a acusação, o arguido terá percebido a relevância estratégica do evento para a NATO e para os países aliados, considerando que a informação ali tratada poderia ser do interesse de serviços de informação estrangeiros, nomeadamente da Federação Russa. Com esse objetivo, terá instalado-se no mesmo hotel em Lisboa onde estavam alojados militares da Aliança e apropriou-se de equipamento informático pertencente à NATO e à Marinha sueca, afeto a um militar em missão.
"Convicto de que tinha em seu poder matérias secretas e classificadas, tentou aceder ao respetivo conteúdo e copiá-lo, procurando posteriormente colaborar com a Federação Russa", refere o DCIAP em comunicado. Para esse efeito, o jovem ter-se-á dirigido à Embaixada da Federação Russa em Lisboa, com a intenção de vender a informação a agentes ou colaboradores russos, sem que tenha conseguido concretizar esse contacto.
A investigação apurou ainda que o arguido, que alegadamente se dedicava a furtos como modo de vida, utilizava documentos de terceiros para se identificar. Durante o inquérito, chegou a manifestar disponibilidade para colaborar com as autoridades, denunciando a existência de uma suposta rede criminosa dedicada à espionagem e à violação de segredo de Estado. No entanto, essa versão foi considerada falsa.
"Os indícios probatórios demonstraram que tal narrativa não tinha qualquer correspondência com a realidade e constituiu apenas um artifício para desviar o foco da investigação", sublinha o Ministério Público, acrescentando que o arguido chegou a implicar onze outras pessoas, incluindo um inspetor da Polícia Judiciária, sem fundamento.
O jovem foi acusado de espionagem, na forma tentada, três crimes de furto qualificado e outros ilícitos conexos. Encontra-se sujeito à medida de coação mais gravosa, prisão preventiva, bem como à proibição de contactos. Outros dois arguidos no processo ficaram obrigados apenas a termo de identidade e residência.
O caso está a ser acompanhado pelas autoridades portuguesas como um episódio sensível de segurança nacional, envolvendo interesses da NATO e potenciais tentativas de ingerência externa.
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