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Um adolescente norueguês foi considerado culpado de ter viajado para o Reino Unido com o objetivo de realizar um homicídio encomendado por uma organização criminosa internacional. Johannes Kongsnes Natland, de 19 anos, natural de Stavanger, na Noruega, aceitou matar uma pessoa que nunca chegou a ser identificada em troca de 25 mil euros.

Segundo o The Guardian, Natland foi recrutado pela Foxtrot Network, um grupo criminoso organizado sueco com ligações ao Governo iraniano. O jovem, que trabalhava em part-time num restaurante de pizzas, foi detido por agentes armados dois dias depois de chegar ao Reino Unido, num quarto de hotel em Huddersfield, no condado de West Yorkshire.

Durante a operação policial, foram apreendidas duas armas e munições. Depois de um novo julgamento, um júri do tribunal de Old Bailey deliberou durante 17 horas e seis minutos antes de considerar Natland culpado do crime de conspiração para cometer homicídio.

O jovem não demonstrou uma reação visível ao ouvir o veredicto e vai ficar detido até à sentença, marcada para outubro.

Durante o julgamento, Natland afirmou que aceitou inicialmente participar no plano de homicídio em troca de dinheiro para comprar droga, acreditando que se tratava apenas de uma “brincadeira” ou de uma fraude.

O jovem disse aos jurados que, quando percebeu que estava envolvido numa situação da qual não conseguia sair, planeou “dar um tiro no próprio pé” para evitar concretizar o assassinato.

A polícia britânica afirmou que os agentes de contraterrorismo encontraram “uma quantidade significativa de provas” que demonstravam que Natland tinha plena consciência de que lhe era pedido que matasse alguém no Reino Unido.

Numa mensagem enviada à namorada antes da viagem, citada no julgamento, Natland escreveu que ia numa “missão louca” e que “seria um pouco fixe matar alguém”, acrescentando que, caso não fosse apanhado, teriam de celebrar.

Quando a polícia armada bateu à porta do quarto de hotel onde estava instalado, Natland saiu apenas de roupa interior, sorrindo, e fez um gesto simulando disparos contra um dos agentes, utilizando as mãos.

Durante a busca ao quarto, os investigadores encontraram, escondido debaixo da cama, um saco de plástico com uma pistola semiautomática, um revólver e 19 munições.

O julgamento revelou ainda que um amigo de Natland recordou uma conversa em que o jovem teria afirmado que iria receber “muito dinheiro” e que “alguém iria morrer”.

Natland respondeu que essas declarações eram apenas fanfarronice e garantiu que estava, na realidade, “aterrorizado”. “Eu não era um assassino internacional”, afirmou perante os jurados.

No entanto, a acusação alegou que o jovem mentiu após a detenção e tentou convencer a namorada a não prestar declarações através de chamadas telefónicas feitas a partir da prisão.

O procurador Alistair Richardson descreveu Natland como “um jovem perturbado, mas perigoso”, que aceitou matar alguém num país estrangeiro por dinheiro.

A Foxtrot Network continua a ser considerada a principal organização criminosa da Suécia, apesar de várias detenções de membros de alto nível nos últimos anos.

O grupo é apontado como responsável pela maioria da violência associada a gangues no país, incluindo tiroteios em massa e homicídios. Segundo a polícia sueca, muitas das figuras centrais da organização encontram-se atualmente no estrangeiro.

O líder da rede, Rawa Majid, conhecido como “Kurdish Fox”, continua em fuga e acredita-se que esteja no Irão. No ano passado, até 30 cidadãos suecos procurados e detidos fora da Suécia tinham ligações à Foxtrot, segundo dados policiais citados pelo jornal britânico.

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