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José Luís Carneiro acusou este domingo o Governo de não ter demonstrado capacidade para responder às crises que têm afetado o país, apontando como exemplos os problemas relacionados com os exames nacionais, o apagão de abril de 2025, os incêndios do último ano e as tempestades registadas no início de 2026.

Durante a rentrée do PS, em Olhão, no Algarve, o secretário-geral socialista criticou em particular a atuação do Governo no caso dos exames nacionais. Segundo José Luís Carneiro, o primeiro-ministro “não teve a humildade democrática” de falar com professores e alunos no discurso realizado na sexta-feira, no Pontal.

O líder do PS afirmou que escolas e famílias viram a sua vida “perturbada” e “adiada” por uma decisão que classificou como irresponsável. Acusou ainda o Governo de ter criado uma crise e, posteriormente, de ter transferido responsabilidades para as famílias, os professores e, mais recentemente, as escolas, que terão sido ameaçadas com processos disciplinares.

Para José Luís Carneiro, houve “insensibilidade e incapacidade para reconhecerem as suas próprias responsabilidades políticas”.

O secretário-geral do PS abordou também a questão da segurança e afirmou que o primeiro-ministro não pode ignorar a degradação da confiança nas instituições essenciais à salvaguarda do Estado de direito democrático.

Na área económica, José Luís Carneiro afirmou que o país está com a economia “a cair”, perdeu competitividade nos mercados externos e continua a bloquear propostas do PS destinadas a responder aos problemas provocados pelo aumento do custo de vida.

O líder socialista desafiou o Governo a apresentar um Orçamento do Estado “competente” e questionou Luís Montenegro sobre a disponibilidade para uma revisão constitucional com o PS, recordando que os dois partidos são “fundadores da democracia portuguesa”.

José Luís Carneiro questionou ainda a compra de 13,7% das ações da REN pelo Governo. O secretário-geral do PS exigiu saber qual é a fonte de financiamento e o valor da operação, bem como a razão pela qual o Executivo optou por comprar as ações a um dos acionistas em vez de recorrer ao mercado ou a outros acionistas da empresa.

O líder socialista questionou também se a posição que o Estado pretende adquirir permitirá determinar e participar na definição estratégica da REN.

No setor energético, José Luís Carneiro criticou ainda o facto de o Governo não ter tomado uma posição sobre as garantias do negócio da Moeve com a Galp.

José Luís Carneiro considerou que, no setor energético e noutras áreas, o país está “sem rumo estratégico” e que o primeiro-ministro está “desligado da realidade dos portugueses”.

Na saúde, apontou para o que considera serem promessas eleitorais não cumpridas e acusou o Governo de procurar retirar das listas de espera as cirurgias menos urgentes e os cidadãos emigrantes das listas de espera dos médicos de família.

O secretário-geral do PS anunciou ainda que o partido vai fazer uma apreciação parlamentar ao decreto que define a reorganização do INEM.

Segundo Carneiro, o novo decreto-lei prevê uma “redução de meios” ao serviço do instituto, colocando em causa a “previsibilidade e a segurança do socorro” às populações.

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