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Em entrevista à Lusa, o líder socialista comparou a atual atuação do Executivo à crítica feita no passado por Manuela Ferreira Leite a governos do PS. “O que está a acontecer com o Governo é que se aplica ao Governo aquilo que outrora a Dra. Manuela Ferreira Leite falou do Governo do PS, da asfixia democrática”, afirmou.

Segundo José Luís Carneiro, o Governo de Portugal está a tentar “criar instrumentos de distração da opinião pública”, apontando temas como a imigração, o uso de burcas ou alterações à lei da nacionalidade. Para o dirigente socialista, são matérias que “não passam sequer pela cabeça das pessoas no seu dia-a-dia”, mas que servem para “manter o espaço mediático ocupado”.

O secretário-geral do PS acusou ainda o Governo de limitar o trabalho dos jornalistas. “Fazem conferências de imprensa e não respondem às perguntas dos jornalistas. É o primeiro sintoma”, declarou, criticando também a contratação de uma empresa associada à ferramenta NewsWhip, que o Executivo classifica como um sistema de ‘clipping’ moderno e não de monitorização de jornalistas.

José Luís Carneiro apontou igualmente críticas à intervenção do Governo na governação dos meios de comunicação social públicos, referindo mudanças na administração da Lusa. “Procuram mexer na própria composição das estruturas de administração dos órgãos de comunicação social. E com que intenção? Favorecer a imparcialidade e o escrutínio ou influenciar a agenda mediática?”, questionou.

Neste contexto, o PS apresentou no início do mês um projeto de lei para alterar os estatutos da Lusa, inspirado no modelo da RTP, prevendo a criação de um Conselho Geral Independente responsável pela escolha do Conselho de Administração, bem como um Conselho de Opinião.

Os novos estatutos da agência, publicados em janeiro, já contemplam a criação de um Conselho Consultivo e reforçam os mecanismos de prestação de contas à Assembleia da República. Ainda assim, os trabalhadores da Lusa manifestaram-se em março contra o novo modelo de governação e o processo de reestruturação da empresa.

Na altura, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, rejeitou qualquer tentativa de controlo governamental, afastou um cenário de fusão entre a Lusa e a RTP e defendeu que os novos estatutos reforçam a independência da agência, criticando o PS por nunca ter criado anteriormente o Conselho Geral Independente que agora propõe.

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