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O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, acusou o Governo de não estar a responder de forma adequada ao aumento do custo de vida, agravado pela guerra no Médio Oriente. À chegada ao segundo dia do 25.º Congresso do PS, em Viseu, Carneiro sublinhou a urgência de medidas mais consistentes para proteger os cidadãos.
“Eu estou convencido de que o Governo está de novo a falhar, a ser parco, a ser escasso na resposta que está a dar ao custo de vida das pessoas”, afirmou. O dirigente socialista recordou que, no seu discurso de abertura do congresso, na sexta-feira, apresentou quatro propostas para mitigar o impacto do aumento dos preços.
Entre as propostas avançadas pelo PS, destaca-se a redução do IVA de 23% para 13% nos combustíveis e no gás, a aplicação de IVA zero em produtos alimentares essenciais, a duplicação do consumo de energia tributada a 6% e a isenção de ISP sobre o gasóleo para a agricultura. Carneiro defendeu que estas medidas não comprometeriam o equilíbrio das contas públicas e contrastou com a posição do Governo, que anunciou uma verba de 150 milhões de euros por mês apenas para responder ao aumento dos combustíveis.
“O Governo adotou medidas que, do nosso ponto de vista, foram insuficientes. Nós propusemos mesmo que houvesse uma redução de 10% do IVA para todos os bens afetados, fossem combustíveis, fossem bens alimentares, mas que mexem com toda a nossa economia. O Governo disse também que a nossa proposta era inadequada”, explicou.
Em paralelo, Carneiro insistiu que a atual administração da AD (PSD/CDS) deve clarificar o seu posicionamento político, escolhendo aproximar-se do PS ou do Chega. Questionado sobre declarações sobre o Tribunal Constitucional e sobre a entrevista de Augusto Santos Silva ao Público, Carneiro limitou-se a afirmar que não leu a entrevista e não especificou detalhes sobre a posição face ao tribunal.
O congresso contou ainda com a presença do antigo primeiro-ministro sueco e líder do Partido Socialista Europeu, Stefan Löfven, que sublinhou a importância de proteger o Sistema Nacional de Saúde (SNS) dos interesses privados. Löfven assinalou a vitória de António José Seguro nas eleições presidenciais como um exemplo do fortalecimento das instituições e da democracia, defendendo políticas centradas na habitação acessível, no custo de vida e num sistema de saúde eficiente e universal.
“Quando estes sistemas se tornam profundamente comercializados, torna-se muito difícil reconstruir o modelo público. E é por isso que gostaria de dizer algo muito claramente aos nossos amigos portugueses hoje aqui presentes: protejam o vosso Sistema Nacional de Saúde. Porque, uma vez enfraquecidos, os sistemas públicos de saúde robustos tornam-se extremamente difíceis de reconstruir”, advertiu.
O 25.º Congresso do PS prolonga-se até domingo, e o debate sobre o custo de vida, a habitação e o SNS marca a agenda política do partido, em linha com as preocupações manifestadas por líderes socialistas europeus e nacionais.
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