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O álcool é apetecível porque ativa centros de prazer no cérebro semelhantes aos que respondem a comida e relações sociais, mas também aumenta o stress quando não se bebe, criando um ciclo difícil de quebrar. Algumas pessoas têm maior predisposição biológica para o álcool, ligada à forma como o cérebro processa recompensa e risco, e condições como TDAH, bipolaridade, esquizofrenia ou PTSD aumentam a vulnerabilidade.
Traços psicológicos como ansiedade, depressão ou baixa autoestima também aumentam o risco de dependência. Beber apenas por diversão raramente leva a dependência; beber para escapar de problemas ou aumentar confiança aumenta o risco, segundo a CNN. A tolerância ao álcool desenvolve-se com o tempo, exigindo mais para obter o mesmo efeito, o que aprofunda o problema. O consumo problemático existe num quando é feito de forma contínua, desde quem não bebe até pessoas com transtorno de uso de álcool, incluindo os chamados “bebedores de área cinzenta”, cujo consumo já é prejudicial apesar de ainda não terem sofrido consequências graves.
Consequências
Os estudos sobre o álcool têm-se multiplicado e sabe-se que o consumo tem impactos diretos e duradouros no cérebro. Estudos recentes mostram que consumo pesado, definido como três ou mais bebidas por dia ou oito ou mais por semana, está associado a hemorragias cerebrais (AVC hemorrágico), danos cognitivos e maior risco de alterações cerebrais ligadas à memória, ao raciocínio e à doença de Alzheimer. Bebedores pesados têm maior probabilidade de desenvolver lesões como a arteriolosclerose hialina e emaranhados tau, ambos ligados a declínio cognitivo. Mesmo quem tenha parado de beber de forma exagerada mostra sinais de danos persistentes, embora reduzir o consumo diminua o risco. Além disso, aqueles que consomem de forma intensa têm uma esperança média de vida 13 anos mais curta do que não bebedores.
O álcool aumenta a tensão arterial, um dos principais fatores de risco para AVC hemorrágico, doença cardíaca e renal. Qualquer pessoa, incluindo adultos jovens, pode sofrer um AVC, mas o risco aumenta com a idade, especialmente depois dos 55 anos, e é agravado por obesidade, diabetes, hipertensão e uso de drogas ilícitas. Pessoas com risco elevado de hemorragia cerebral devem reduzir ou evitar completamente o álcool, limitando-se, por exemplo, a no máximo um copo por dia e apenas em ocasiões esporádicas.
Estudos recentes citados pela CNN mostram também que, em adultos mais velhos, mesmo consumo moderado de álcool não traz benefícios para a saúde. Pelo contrário, está associado a maior risco de morte por cancro, doenças cardíacas e outras causas, especialmente em pessoas com mais problemas de saúde ou menor rendimento. A crença de que um ou dois copos de vinho por dia podem ser saudáveis parece refletir estilos de vida mais equilibrados, e não efeito direto do álcool.
Reduzir ou parar de beber traz benefícios a qualquer nível de consumo. Estratégias eficazes incluem períodos de abstinência, educação sobre os efeitos do álcool, participação em grupos de apoio, lidar com problemas psicológicos subjacentes e adotar alternativas sociais sem álcool, como bebidas não alcoólicas.
Desafios como Dry January ou Sober October ajudam a perceber hábitos de consumo, identificar se se bebe para mascarar emoções ou por perda de controlo, e tomar medidas para mudar. A sobriedade é um esforço contínuo, exigindo reajustar a forma como o cérebro responde a recompensas e gerir o stress sem recorrer ao álcool. Controlar a tensão arterial através de exercício, dieta saudável e acompanhamento médico é essencial para proteger o cérebro e reduzir o risco de AVC, demência e outros danos de saúde.
O consenso de especialistas é claro: menos álcool é sempre melhor. Bebida excessiva, seja pesada ou em episódios de binge drinking (quando se bebe muito durante um curto período, como por exemplo uma saída à noite), está ligada a múltiplos problemas de saúde, incluindo danos cerebrais permanentes, problemas cardíacos, hepáticos e risco elevado de dependência, enquanto mesmo consumo moderado pode não ser seguro, sobretudo em adultos mais velhos.
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