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Uma análise do Politico  a publicações nas redes sociais oficiais mostra apenas uma menção à expressão após 12 de fevereiro, comparado com mais de uma dúzia nas quatro semanas anteriores.

Durante meses, “deportações em massa” foram um elemento central da campanha de Trump em 2024, com a sua equipa e a Casa Branca a ligarem o conceito à redução da criminalidade, ao aumento de empregos e à diminuição dos custos habitacionais. Contudo, após o incidente de Minneapolis, o foco passou a ser mais preciso e direcionado, centrando-se na expulsão de imigrantes ilegais com antecedentes criminais, enquanto a expressão “deportações em massa” é evitada em comunicações públicas.

Altos funcionários e contas oficiais da Casa Branca, como o chefe adjunto de gabinete Stephen Miller e a porta-voz Karoline Leavitt, deixaram de usar o termo, embora continuem a divulgar detenções de imigrantes acusados de crimes violentos. Um responsável, falando sob anonimato, explicou que esta mudança reflete a diminuição de cobertura mediática sobre imigração desde fevereiro, e não uma alteração de política.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) também ajustou a sua campanha publicitária: anúncios recentes destacam vítimas da imigração ilegal” em vez de imagens de detenções em massa. Apesar disso, a agência garante manter a expulsão dos criminosos ilegais mais perigosos, como prometido por Trump, e tem divulgado detenções recentes para reforçar esta narrativa.

No início de março, Trump nomeou o senador Markwayne Mullin como próximo secretário do DHS, transferindo Kristi Noem para um cargo especial de enviado, numa tentativa de lidar com frustrações internas. Durante o Discurso sobre o Estado da União, Trump apenas mencionou “deportar” uma vez, reforçando o foco em criminosos ilegais, contrastando com o seu discurso de 2025, onde prometia a “maior operação de deportação da história dos EUA”.

Analistas e estrategas do Partido Republicano apontam que, junto de blocos de eleitores cruciais, incluindo latinos, moderados, independentes e jovens, a expressão “deportações em massa” está associada a detenções indiscriminadas em espaços comunitários, algo que pode ser politicamente prejudicial. Em contraste, focar-se na segurança pública e nos criminosos ilegais permite virar a narrativa contra os democratas e destacar o sucesso do presidente na segurança da fronteira.

Ainda assim, esta mudança de tom irrita alguns aliados de Trump, que defendem uma abordagem mais agressiva. Pesquisas recentes mostram que mesmo entre os apoiantes de Trump, descontentamento com a implementação da política de deportações, revelando uma tensão contínua entre estratégia de comunicação e apoio eleitoral.

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