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A Itália anunciou esta sexta-feira a suspensão temporária da aplicação do Acordo de Schengen com Espanha, em resposta à crise migratória desencadeada pela entrada de dezenas de milhares de migrantes na cidade autónoma espanhola de Ceuta, na fronteira com Marrocos. A medida implicará o restabelecimento de controlos nas ligações aéreas e marítimas entre os dois países.
Embora Itália e Espanha não partilhem uma fronteira terrestre, a decisão terá impacto nos passageiros que viajem de avião ou de barco entre os dois países, passando a estar sujeitos a verificações documentais e controlos fronteiriços temporários.
O Ministério do Interior italiano anunciou igualmente um acordo com França para reforçar os controlos na fronteira franco-italiana, procurando impedir movimentos secundários de migrantes que possam atravessar vários países do espaço Schengen após entrarem na União Europeia através de Espanha.
A decisão surge depois da maior vaga migratória alguma vez registada em Ceuta. Segundo as autoridades espanholas, cerca de 50 mil migrantes atravessaram irregularmente a fronteira a partir de Marrocos em poucas horas. Apesar de Madrid afirmar que aproximadamente metade já regressou a território marroquino, a crise provocou dezenas de mortes, obrigou ao destacamento do Exército espanhol e desencadeou um intenso debate político em vários países europeus sobre o controlo das fronteiras externas da União Europeia.
A iniciativa italiana surge num contexto de crescente pressão sobre o Governo espanhol. Nos últimos dias, vários partidos conservadores e de direita europeus acusaram Madrid de não proteger eficazmente a fronteira externa do espaço Schengen e defenderam o restabelecimento de controlos nas fronteiras internas.
Ao abrigo do Código das Fronteiras Schengen, os Estados-membros podem reintroduzir temporariamente controlos nas fronteiras internas quando considerem existir uma ameaça grave à ordem pública ou à segurança interna. A medida não representa uma saída do espaço Schengen, mas limita temporariamente a livre circulação entre os países abrangidos.
A crise em Ceuta continua a dominar a agenda política europeia, enquanto Espanha e Marrocos mantêm operações conjuntas para controlar a fronteira e acelerar o regresso dos migrantes que entraram irregularmente no enclave espanhol.
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