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Nos últimos meses, Dubai era o destino preferido de britânicos abastados à procura de um regime fiscal vantajoso e de um estilo de vida luxuoso, escreve o The Guardian. Mas com os ataques de mísseis iranianos sobre os Emirados Árabes Unidos, a reputação da cidade como refúgio da elite global tem vindo a ser questionada. Cada vez mais, milionários procuram voltar à Europa, e Milão, centro financeiro de Itália, surge como a nova escolha.

Para muitos que deixam os Emirados Árabes Unidos, viver em Roma ou Milão torna-se uma opção natural, pela dimensão internacional e cosmopolita destas cidades.

Não é difícil perceber porque Milão, já lar de alguns dos mais ricos banqueiros, advogados e investidores da Europa, está a ganhar popularidade. Sob o regime fiscal italiano, residentes estrangeiros podem pagar um imposto fixo de 300.000 euros por ano sobre todos os rendimentos do estrangeiro — um valor praticamente simbólico para os mais ricos do mundo.

O regime fiscal italiano, apelidado informalmente de “svuota Londra” (“esvaziar Londres”), atrai europeus que não pretendem regressar ao Reino Unido. Quem não tenha pago impostos em Itália nos últimos nove anos não é tributado sobre rendimentos do estrangeiro, pagando apenas os 300.000 euros anuais. Rendimentos italianos e ganhos de capital sobre investimentos locais entram na tributação apenas cinco anos depois de optar pelo regime.

Segundo a firma Maisto e Associati, cerca de 5.000 pessoas aderiram ao regime de imposto fixo até ao momento. Inicialmente, eram sobretudo italianos que regressavam de Londres, trabalhando em banca, seguros e gestão de ativos. A pandemia e a abolição do non-dom britânico geraram um aumento exponencial de interessados, agora incluindo milionários do Golfo, atraídos pela rapidez no processamento de candidaturas e pela qualidade de vida.

A chegada de novos residentes já tem impacto no mercado imobiliário. Nos últimos cinco anos, os preços em Milão subiram 38%, segundo a agência Knight Frank. Em novembro de 2025, a cidade ultrapassou Veneza como a mais cara de Itália, com um preço médio de 5.171 euros por metro quadrado. Bairros procurados como Sant’Ambrogio, Brera, San Marco e Cinque Vie registam aumentos ainda mais acentuados. Giorgolo estima que a presença de compradores internacionais cresceu entre 30% e 40% em apenas dois anos.

Outros incentivos fiscais, como o “rientro dei cervelli” (“regresso dos cérebros”), permitem que novos ou regressados residentes paguem apenas metade do imposto sobre o rendimento durante cinco anos, com reduções ainda maiores para alguns perfis. Desde 2017, o teto do imposto fixo aumentou progressivamente de 100.000 para 300.000 euros em 2026, reforçando a competitividade do país.

A mudança da cidade vai além da fiscalidade. Galerias, clubes privados e hotéis proliferam; o IVA sobre arte caiu de 22% para 5%, incentivando expansões de casas como Thaddaeus Ropac. Em 2024, a Via Monte Napoleone chegou a ser a rua comercial mais cara do mundo, ultrapassando a Upper Fifth Avenue em Nova Iorque. Marcas de luxo e clubes exclusivos, como Casa Cipriani e Soho House, seguiram a onda de riqueza.

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