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A proposta, segundo o The Guardian, deverá estar no centro da oferta que Teerão se prepara para apresentar aos Estados Unidos nos próximos dias, numa altura em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, pondera a possibilidade de lançar um ataque militar, após o reforço da presença naval dos EUA no Médio Oriente.
Atualmente, o Irão possui urânio enriquecido a 60%, próximo do nível necessário para uso militar, mas mostra-se disponível para reduzir a pureza para 20% ou menos. No entanto, insiste que o material nuclear não sairá do país. A hipótese de enviar o stock para a Rússia ou integrar o programa num consórcio internacional terá sido discutida, mas fontes iranianas negam que essa opção esteja em cima da mesa.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que Washington não exigiu o abandono definitivo do direito ao enriquecimento de urânio dentro do Irão, nem pediu uma suspensão total do programa. Segundo Araghchi, a discussão centra-se antes no nível de enriquecimento e no número de centrifugadoras autorizadas.
Já o embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, declarou que os EUA pretendem “enriquecimento zero” por parte do Irão, evidenciando divergências públicas entre as duas partes.
Analistas iranianos alertam que um ataque militar, enquanto ainda existem vias diplomáticas abertas, poderá levar outros países da região a concluir que apenas armas nucleares garantem dissuasão face aos EUA e a Israel.
O contexto externo coincide com tensões internas no Irão. Nos últimos dias, registaram-se protestos em várias universidades, incluindo a Universidade Sharif, em Teerão, com palavras de ordem contra o regime. Também em Londres cerca de 1.500 manifestantes marcharam exigindo o encerramento da embaixada iraniana no Reino Unido e exibindo imagens do príncipe herdeiro exilado, Reza Pahlavi.
Entretanto, são esperados protestos adicionais em Genebra, durante uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, onde Afsaneh Nadipour, antiga embaixadora do Irão na Dinamarca, inicia funções como membro do comité consultivo, incluindo na área dos direitos das mulheres.
O desfecho da proposta iraniana poderá ser determinante para a decisão de Washington entre a via diplomática ou uma eventual ação militar.
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