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A delegação norte-americana é liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, enquanto o Irão é representado por uma comitiva chefiada pelo presidente do parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, que inclui altos responsáveis da diplomacia, defesa e economia. As negociações são mediadas pelo Paquistão, cujo primeiro-ministro, Shehbaz Sharif, as descreveu como decisivas para determinar se será possível alcançar um cessar-fogo duradouro.

Ambas as partes chegam às conversações com fortes reservas e condições prévias. O Irão exige um cessar-fogo no Líbano e o desbloqueio de ativos financeiros congelados antes de iniciar negociações, enquanto os Estados Unidos colocam no centro das discussões o programa nuclear iraniano, a reabertura do estreito de Ormuz, crucial para o transporte global de petróleo, e a libertação de cidadãos norte-americanos detidos no Irão. Ghalibaf afirma que o Irão negocia “de boa fé”, mas não confia nos EUA, enquanto Vance avisa que Washington não aceitará ser “enganado”.

A pressão política e militar intensifica-se com declarações do presidente Donald Trump, que ameaçou novos ataques caso não haja acordo e indicou que os Estados Unidos estão a reforçar a sua capacidade militar na região. Trump insiste que o objetivo central é impedir que o Irão obtenha armas nucleares.

No terreno, a situação continua a deteriorar-se, sobretudo no Líbano, que se tornou um dos principais pontos de discórdia. O Irão considera que o cessar-fogo deve abranger o território libanês, mas os EUA e Israel rejeitam essa interpretação. Entretanto, os combates prosseguem: desde março, mais de 1.900 pessoas morreram no Líbano e mais de 6.000 ficaram feridas, incluindo centenas de vítimas num único dia de ataques israelitas recentes. Israel afirma ter atingido milhares de posições do Hezbollah, enquanto o grupo continua a lançar rockets contra território israelita.

Outro elemento central da crise é o bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irão, que reduziu drasticamente o tráfego marítimo, de mais de 100 navios por dia para pouco mais de uma dezena, com forte impacto nos mercados energéticos globais. Perante isso, o Reino Unido prepara uma reunião internacional para tentar restabelecer a livre circulação, rejeitando propostas iranianas de cobrar taxas pela passagem.

Segundo informações de inteligência dos EUA, a China poderá estar a preparar o envio de sistemas de defesa aérea ao Irão, ao mesmo tempo que desempenha um papel discreto na tentativa de reduzir tensões. Paralelamente, Líbano e Israel concordaram reunir-se em Washington para discutir um cessar-fogo, sinal de que decorrem vários esforços diplomáticos em simultâneo.

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