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A tensão no conflito entre os Estados Unidos e o Irão voltou a aumentar depois de uma nova troca de ataques, com um ataque numa cerimónia de casamento a provocar dezenas de vítimas e a desencadear acusações de violação do direito internacional.
Ao mesmo tempo, as declarações dos líderes norte-americano e israelita apontam para a possibilidade de novas operações militares, enquanto a moeda iraniana atingiu um novo mínimo histórico.
Quais são os últimos desenvolvimentos do conflito?
Ataque durante um casamento mata quatro pessoas
Segundo os meios de comunicação iranianos citados pelo The Guardian, a cerimónia decorria numa casa particular em Kuhestak, na província de Hormozgan, na noite de terça-feira, quando um míssil norte-americano atingiu a zona.
O ataque provocou a morte de pelo menos quatro pessoas e feriu outras 68. Entre os mortos estão Amir-Ali Karimi, uma criança de quatro anos, e Mohammad Mollahi, de 16 anos.
O pai da noiva, Ali Mollahi, descreveu o sucedido como “uma coisa terrível” e afirmou estar extremamente preocupado e perturbado com o ataque.
Imagens divulgadas após a explosão mostram um telhado parcialmente destruído, janelas partidas e destroços espalhados pelo chão. Entre os escombros encontram-se também decorações do casamento e sapatos deixados para trás durante a fuga dos convidados.
Irão acusa EUA de “crime de guerra”
O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano classificou o ataque como um “crime de guerra” e afirmou que o país responderia “com firmeza”.
A acusação foi também feita pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, na sequência do ataque que atingiu a festa de casamento.
O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, afirmou que o ataque matou famílias com crianças e voltou a referir-se aos Estados Unidos como o “Grande Satanás”.
O Crescente Vermelho iraniano foi mais longe e escreveu ao Tribunal Penal Internacional a pedir uma ação judicial contra os Estados Unidos. Na carta, a organização defendeu que a presença de civis e o facto de o local ser utilizado para uma cerimónia familiar levantam “sérias preocupações” ao abrigo do direito humanitário internacional.
O Crescente Vermelho pediu uma investigação independente, imparcial, completa e eficaz. A organização acrescentou que, caso uma investigação determine que o local tinha natureza civil, que não existia um objetivo militar legítimo ou que o ataque não respeitou os princípios de distinção, proporcionalidade e precaução, o incidente poderá constituir uma violação grave do direito humanitário internacional e, estando reunidos os elementos necessários, um crime de guerra.
Trump admite novos ataques
Enquanto aumentam as acusações sobre o ataque, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estão preparados para atacar novamente o Irão “a qualquer momento” que queiram.
O presidente norte-americano disse, contudo, não acreditar que a nova campanha contra o Irão vá durar “demasiado tempo”.
Trump recusou ainda comentar a seriedade da sua intenção de mudar o nome do estreito de Ormuz para uma designação relacionada consigo próprio.
A nova ofensiva norte-americana acontece depois de ataques realizados no domingo terem colocado fim a uma trégua de um mês entre os Estados Unidos e o Irão.
Segundo o Comando Central norte-americano, os ataques tiveram como alvo posições militares iranianas, incluindo sistemas de defesa aérea, radares e equipamentos marítimos.
O Irão respondeu com drones e mísseis contra bases norte-americanas no Médio Oriente, incluindo no Barém, no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos.
O porta-voz militar iraniano, tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, prometeu uma resposta “mais pesada, mais ampla e mais devastadora”.
Netanyahu diz que missão de Israel “ainda não terminou”
A escalada envolve também Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a missão israelita no Irão “ainda não terminou”.
Numa entrevista ao canal hebraico da i24News, Netanyahu afirmou que, sob a sua direção, todos os sistemas israelitas estão a trabalhar para derrubar o regime iraniano.
“Os nossos pilotos estiveram lá e podem estar lá a qualquer momento”, afirmou, acrescentando que Israel ainda não tinha “terminado o trabalho” e que iria “derrotar este regime”.
Questionado sobre o que significava derrotar o regime, Netanyahu respondeu: “Vamos derrubá-lo”, acrescentando que este já estaria “nas últimas”.
As declarações surgiram depois de o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, ter afirmado que as Forças de Defesa de Israel estão preparadas para responder “com grande força” caso o Irão ataque Israel.
O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, adotou uma posição semelhante numa entrevista à France 24. Saar afirmou que Israel responderia “fortemente” se fosse atacado pelo Irão, embora tenha acrescentado que não acreditava que Teerão cometesse esse erro e que Israel não tinha planos para entrar na guerra naquele momento.
Rial iraniano atinge novo mínimo histórico
A pressão sobre o Irão também se fez sentir na moeda. O rial atingiu na quarta-feira um novo mínimo histórico.
No mercado de Teerão, os comerciantes chegaram a trocar 2,20 milhões de riais por um dólar norte-americano. O valor representa uma subida de quase 10% face ao anterior recorde, registado a 25 de agosto, quando um dólar era vendido por 2,02 milhões de riais.
O rial tem atingido sucessivos mínimos desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram o conflito, há mais de seis meses. A moeda iraniana perdeu cerca de metade do seu valor num ano marcado pelo reforço das sanções norte-americanas e pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Comunicações e estreito de Ormuz entre os alvos
Os Estados Unidos têm também atacado infraestruturas de comunicações e radares ao longo da costa iraniana, numa tentativa de travar o bloqueio ao estreito de Ormuz.
O Irão praticamente encerrou o estreito desde o início da guerra. Nas últimas semanas, os Estados Unidos concentraram os esforços em reduzir a capacidade iraniana de atacar navios que atravessam a passagem, procurando reabrir a via ao tráfego.
No ataque em Kuhestak, as autoridades iranianas afirmaram que várias torres e instalações de telecomunicações e internet ficaram gravemente danificadas.
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