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O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Saeed Khatibzadeh, deu uma entrevista exclusiva à BBC, na qual comentou as crescentes tensões no Líbano e o papel dos Estados Unidos na região. O responsável iraniano disse que, apesar do cessar-fogo acordado entre Teerão e Washington, os ataques israelitas a alvos no Líbano prosseguiram na quarta-feira, o que motivou uma mensagem direta enviada pelo Irão à Casa Branca.
"Não se pode ter o bolo e comê-lo ao mesmo tempo", afirmou Khatibzadeh, sintetizando a comunicação enviada aos norte-americanos. O ministro acrescentou que não é coerente pedir um cessar-fogo e, ao mesmo tempo, aceitar todas as condições e áreas de aplicação do mesmo, apontando explicitamente o Líbano como zona de conflito. "E depois o seu aliado [Israel] começa um massacre", sublinhou, referindo-se aos recentes bombardeamentos em território libanês.
Durante a entrevista, Khatibzadeh insistiu que os Estados Unidos terão de fazer uma escolha clara entre a guerra e a paz, porque estas opções são "mutuamente exclusivas". Segundo ele, a contradição entre apelos ao cessar-fogo e a aceitação tácita dos ataques israelitas mina qualquer tentativa de estabilidade na região.
Questionado sobre a possibilidade de o Irão abandonar negociações caso os ataques israelitas continuem, o vice-ministro reafirmou que o país se concentra no bem-estar de todo o Médio Oriente, e não apenas em interesses nacionais isolados. Esta posição demonstra a intenção de Teerão em manter uma postura diplomática, apesar da escalada militar nas áreas vizinhas.
Outro ponto abordado na entrevista foi a situação do estreito de Ormuz, estratégico para o transporte marítimo global. O vice-ministro iraniano afirmou que o país assegurará a passagem segura, mas condicionou a reabertura à retirada daquilo que considerou ser "agressão norte-americana", numa referência implícita aos ataques israelitas no Líbano e à intervenção americana na região.
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