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O financiamento, atribuído no âmbito dos AACR Trailblazer Research Grants for Early-Stage Investigators, integra o maior programa lançado pela American Association for Cancer Research (AACR) para apoiar cientistas em momentos decisivos das suas carreira. Ao todo, foram selecionados 15 investigadores, que vão partilhar um montante global de 15 milhões de dólares.
O que “acorda” o cancro
O trabalho agora apoiado centra-se num dos principais desafios da oncologia: a metástase, responsável pela maioria das mortes associadas ao cancro.
Quando a doença se espalha, algumas células podem migrar para outros órgãos e permanecer inativas durante anos. Estas células disseminadas podem, no entanto, voltar a crescer de forma súbita, originando novos tumores.
“Apesar de serem plenamente cancerígenas, estas células podem permanecer ocultas
durante anos”, explica Ana Luísa Correia em comunicado. “Compreender o que as mantém dormentes, e o que desencadeia o seu crescimento novamente, é uma das grandes questões em aberto na investigação em cancro”.
O projeto liderado por Ana Luísa Correia procura perceber o que controla este processo, ou seja, o que mantém estas células em estado de dormência e o que desencadeia o seu “despertar”.
A investigação parte da hipótese de que este “interruptor” depende da interação entre o sistema nervoso e o sistema imunitário, bem como das células de suporte dos tecidos. O objetivo é compreender como os sinais destes sistemas influenciam o comportamento das células cancerígenas, mantendo-as inativas ou permitindo a sua progressão.
O estudo vai focar-se no fígado, um dos órgãos onde as metástases do cancro da mama são mais frequentes e mais graves.
Três anos de investigação
Ao longo de três anos, a equipa vai recorrer a diferentes abordagens, incluindo modelos "em ratinho", amostras humanas e tecnologias que permitem analisar tecidos ao nível celular e mapear os sinais presentes no microambiente.
A investigação cruza várias áreas científicas, como biologia do cancro, imunologia, neurociência e análise computacional.
A longo prazo, o objetivo passa por abrir caminho a novas estratégias terapêuticas. Em vez de eliminar as células cancerígenas após o aparecimento de metástases, poderá ser possível mantê-las em estado dormente ou torná-las visíveis ao sistema imunitário.
“Este financiamento Trailblazer irá impulsionar os esforços do meu laboratório para compreender como a comunicação de longa distância entre os sistemas nervoso e imunitário controla a formação de metástases específicas de cada tecido”, afirma a investigadora. “Este é um dos desafios mais estimulantes da investigação em cancro para os próximos anos”.
Ana Luísa Correia lidera atualmente o laboratório de Dormência do Cancro e Imunidade na Fundação Champalimaud, em Lisboa. A sua investigação tem-se centrado na forma como as células cancerígenas interagem com diferentes órgãos e ambientes do corpo, com o objetivo de desenvolver novas abordagens para travar a metástase.
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