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Na véspera de se assinalar um ano sobre a tragédia do Elevador da Glória, o DIAP veio a público atualizar o estado do inquérito e explicar as razões que têm prolongado os trabalhos.

De acordo com o Ministério Público (MP), à medida que os trabalhos periciais avançaram e os resultados foram sendo apurados, “surgiram novas dúvidas e necessidade de esclarecimentos técnicos adicionais”, o que obrigou à realização de novos ensaios.

A investigação prosseguiu durante o período de férias judiciais e aguarda agora a conclusão das perícias e dos ensaios técnicos, prevista para novembro. Só depois dessa fase será feita uma análise global dos factos e dos elementos recolhidos, tendo em vista o eventual apuramento de responsabilidades criminais.

“Seguir-se-á a análise minuciosa dos factos, a avaliação criteriosa sobre a suficiência de indícios e o apuramento de eventuais responsabilidades criminais, pelo que se estima que o despacho final de inquérito, salvo algum imponderável, possa ocorrer até ao final do primeiro trimestre de 2027”, avança o DIAP de Lisboa, num comunicado enviado às redações.

O Ministério Público explica que a informação pretende “dar nota pública sobre o andamento da investigação bem como sobre o prazo previsto para a conclusão do inquérito que investiga a ocorrência”.

Duas investigações, perícias em articulação

O inquérito criminal decorre de forma autónoma da investigação conduzida pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF). Apesar de serem processos distintos, existem vários pontos de convergência entre as duas investigações.

É precisamente por essa razão que algumas das perícias são realizadas de forma articulada. O MP salienta que “alguns dos ensaios são destrutivos e irrepetíveis”, pelo que foi necessário definir previamente a metodologia a seguir e garantir o acompanhamento dos trabalhos pelo GPIAAF.

O Ministério Público destaca também a “ativa” colaboração da Carris ao longo do processo.

“Foram determinadas as perícias consideradas necessárias e suficientes a responder aos quesitos técnicos que permitirão esclarecer os factos que estiveram na origem da ocorrência e bem assim como eventuais responsabilidades criminais”, explica o DIAP na mesma nota.

As perícias comuns às duas investigações foram, assim, definidas de forma articulada, embora os processos se mantenham autónomos e com objetivos distintos: de um lado, a investigação criminal; do outro, a investigação técnica destinada à prevenção de futuros acidentes.

Cabo de tração, travões e sistema elétrico entre os aspetos analisados

Entre os principais aspetos analisados estão as “características, condição de funcionamento e comportamento do cabo de tração e da sua fixação ao veículo”, bem como as condições de funcionamento dos sistemas de travagem e a resposta dinâmica dos veículos.

Está também a ser estudada “a condição de aderência dos freios aos carris ‘Z’ e dos freios às rodas”, além do sistema elétrico dos veículos e da sua ligação aos sistemas de travagem e ao cabo de tração.

A investigação abrange ainda a componente organizacional da empresa, nomeadamente “a orgânica empresarial e os processos de manutenção e de certificação em qualidade e segurança em uso na Carris”.

A complexidade dos trabalhos é uma das razões apontadas pelo DIAP para o tempo necessário à conclusão da investigação. O Ministério Público classifica as perícias como de “elevada complexidade técnica” e explica que foi necessário “proceder à manufatura e/ou aquisição de estruturas e peças necessárias à obtenção de dados fiáveis”.

Com a conclusão dos ensaios e das perícias prevista para novembro, o processo entrará depois numa nova fase, centrada na análise dos resultados e dos restantes elementos recolhidos. Será a partir daí que o Ministério Público avaliará se existem indícios suficientes para determinar eventuais responsabilidades criminais.

O descarrilamento do ascensor da Glória aconteceu a 3 de setembro de 2025 e provocou 16 mortos e dezenas de feridos.

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