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Os dados constam da décima edição do estudo promovido pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, em parceria com a EY Portugal, e revelam que os internamentos considerados inapropriados representam já 13,9% do total de doentes internados nos hospitais públicos. Há dois anos, esse valor situava-se nos 11,1%.
O barómetro define internamento inapropriado como todos os dias em que um doente permanece hospitalizado após alta clínica, sem motivo de saúde que justifique a continuação no hospital. Em termos de impacto financeiro, estes internamentos estão a custar ao Estado cerca de 351 milhões de euros por ano, mais 63 milhões do que na edição anterior do estudo.
No total, os hospitais do Serviço Nacional de Saúde registaram 439.871 dias de internamentos sociais num ano, um aumento de cerca de 20% face à última análise. O tempo médio de permanência mantém-se elevado, nos 157 dias a nível nacional, com diferenças significativas entre regiões, concretamentet 239 dias no Norte, 124 dias em Lisboa e Vale do Tejo e apenas 32 dias no Alentejo.
Lisboa e Vale do Tejo e a região Norte concentram 85% dos internamentos inapropriados registados no país. A principal causa continua a ser a falta de resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados, responsável por 45% das situações, acima dos 38% registados no ano anterior.
Para o presidente da APAH, Xavier Barreto, estes números mostram que os internamentos sociais continuam a pressionar de forma significativa a capacidade do SNS. “Têm um impacto direto na eficiência dos serviços e no acesso aos cuidados”, alertou, defendendo o reforço da capacidade instalada fora dos hospitais e a agilização de processos legais, nomeadamente no âmbito do Regime do Maior Acompanhado, que continua a atrasar altas hospitalares.
O responsável sublinha ainda a necessidade de investir no apoio domiciliário e nos cuidadores como prioridade estrutural. O estudo aponta também para a importância de expandir e qualificar o Serviço de Apoio Domiciliário, com equipas multidisciplinares, e de aumentar as respostas intermédias, incluindo na área da saúde mental.
O barómetro revela que 27 hospitais do SNS já recorrem a alternativas aos internamentos sociais. Em março, 1.035 doentes encontravam-se em vagas contratualizadas e 714 tinham sido integrados ao abrigo de uma portaria de 2023.
A décima edição do Barómetro dos Internamentos Sociais contou com a participação de 41 hospitais públicos, num total de 20383 camas, representando 97% da capacidade total de internamento do SNS, e teve o apoio institucional de várias entidades do setor da saúde.
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