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À medida que se aproxima o encontro entre Inglaterra e Argentina nas meias-finais do Mundial, a questão das Ilhas Malvinas voltou a ganhar destaque. Nos últimos dias, alguns adeptos argentinos voltaram a entoar cânticos sobre as Malvinas e a estabelecer paralelos entre a partida e o conflito de 1982, o que reacendeu uma associação que acompanha há décadas os confrontos entre as duas seleções.
Perante esse contexto, a federação argentina de antigos combatentes da Guerra das Malvinas apelou para que o jogo não fosse transformado num palco para reivindicações políticas. A organização defendeu que a questão da soberania deve continuar a ser tratada pela via diplomática e pediu que o foco esteja no futebol.
O que está em causa?
Sempre que Inglaterra e Argentina se defrontam num grande torneio internacional, o futebol cruza-se inevitavelmente com a história. A disputa pelas Malvinas continua a ser um dos diferendos territoriais mais antigos e sensíveis da atualidade: continua sem solução mais de quatro décadas após a guerra de 1982.
As Malvinas, designadas como Falkland Islands pelo Reino Unido, são administradas por Londres desde 1833. No entanto, a Argentina considera que o arquipélago faz parte do seu território nacional e mantém, até hoje, a reivindicação da soberania sobre as ilhas.
Buenos Aires sustenta que herdou da Coroa espanhola os direitos sobre o território após a independência, em 1816. Em 1829, criou uma administração para o arquipélago, mas quatro anos depois forças britânicas assumiram o controlo das ilhas, expulsando as autoridades argentinas. A Argentina considera esse episódio uma ocupação ilegítima que se prolonga até aos dias de hoje.
O Reino Unido defende, por seu lado, que exerce soberania contínua sobre as ilhas desde 1833 e considera que deve prevalecer o direito dos habitantes do arquipélago à autodeterminação. Em 2013, um referendo realizado nas ilhas registou um apoio quase unânime à manutenção do estatuto de Território Britânico Ultramarino. A Argentina rejeita esse resultado, defendendo que o princípio da autodeterminação não se aplica neste caso.
A disputa atingiu o seu momento mais dramático em 1982. A 2 de abril desse ano, a junta militar argentina ordenou a ocupação das Malvinas, dando início a um conflito com o Reino Unido que durou cerca de dez semanas. A guerra terminou a 14 de junho com a rendição das forças argentinas.
O conflito provocou a morte de 649 militares argentinos, 255 militares britânicos e três civis residentes nas ilhas. A derrota acelerou ainda o fim da ditadura militar argentina e abriu caminho ao regresso da democracia em 1983.
Apesar do fim da guerra, a disputa territorial nunca foi resolvida. As Nações Unidas reconhecem a existência de um litígio e têm apelado, desde a década de 1960, ao diálogo entre os dois países para encontrar uma solução pacífica. No entanto, Londres considera que qualquer negociação depende da vontade dos habitantes das ilhas, enquanto Buenos Aires defende que a questão da soberania deve ser tratada diretamente entre os dois Estados.
Além da importância histórica e política, as Malvinas têm também valor estratégico. O arquipélago situa-se numa zona rica em recursos piscatórios, possui potencial para a exploração de petróleo e gás e encontra-se próximo da Antártida, fatores que reforçam o interesse geopolítico do território.
Na Argentina, a reivindicação das Malvinas faz parte da identidade nacional e está consagrada na Constituição. O tema integra o ensino escolar e o dia 2 de abril é assinalado como feriado nacional em homenagem aos veteranos e aos mortos da guerra.
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