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"O país tem de discutir se em vez de quatro helicópteros durante 24h não será melhor ter seis a funcionar durante 12 horas, por exemplo", explica ao 24notícias o presidente do INEM, Luís Mendes Cabral.
A questão que se coloca é que "a maioria dos serviços de helicóptero não faz primários durante a noite", ou seja, não vão diretamente ao local do acidente, fazem apenas missões secundárias, o transporte e doentes entre hospitais.
Espanha, cerca de cinco vezes maior do que Portugal em território e em população, "tem cerca de 40 helicópteros durante o dia, mas à noite funcionam apenas entre quatro e seis", explica o responsável.
É tudo uma questão de custo/benefício. "Está a gastar-se muito dinheiro numa atividade que, à noite, é residual. De acordo com os números disponíveis, os quatro helicópteros contratados com a Gulf Med foram acionados 38 vezes durante a noite (período entre as 20h00 e as 8h00) nos últimos três meses, de um total de 232 voos.
A Gulf Med, que é desde Novembro do ano passado a concessionária dos serviços de helicópteros de emergência médica em Portugal — e que entre Julho e Outubro de 2025 prestou esse serviço ao INEM através de um ajuste direto —, tem quatro helicópteros a operar 24 horas por dia a partir das base de baseados Loulé, Évora, Viseu e Macedo de Cavaleiros, que custaram ao instituto 77,4 milhões de euros.
Entre Janeiro e Março deste ano, os serviços de helitransporte de doentes foram acionados 11 vezes a partir de Évora e de Viseu, nove a partir de Loulé e sete a partir de Macedo de Cavaleiros.
Já em 2025, de um total de 943 voos, apenas 132 (14%) foram realizados no período noturno.
Caso se decida acabar com o serviço de helitransporte durante a noite, "existirá sempre um serviço noturno para secundários", garante o responsável. A alternativa é recorrer às 44 viaturas médicas de emergência e reanimação (VMER) do INEM espalhadas pelo país. Em situações de falta acesso, uma das hipóteses é recorrer à Força Aérea ou manter um ou dois helis à noite para os secundários".
Seja qual for a decisão, "o certo é que em Dezembro de 2027 a discussão tem de estar terminada", recorda Luís Mendes Cabral, uma vez o processo do concurso público demora três anos e o atual contrato está em vigor até Junho de 2030.
"Estamos numa fase muito preliminar da discussão. Temos os números dos primeiros meses desta nova empresa, mas o serviço ainda não foi testado durante o Verão, por exemplo. O valor terá de ser explorado com as empresas no mercado e, mais uma vez, estamos a falar de soluções para 2030", sublinha o presidente do INEM.
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