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A ilha sueca de Gotland, situada no Mar Báltico, está a intensificar os preparativos militares e civis perante o receio de que a Rússia possa, no futuro, representar uma ameaça à região. Segundo o The Guardian, militares, responsáveis da defesa e habitantes da ilha descrevem o reforço das capacidades de resposta como uma forma de dissuasão e de preparação para diferentes cenários.

A posição geográfica da ilha é considerada particularmente estratégica. Localizada a 275 quilómetros de Kaliningrado, enclave russo entre a Lituânia e a Polónia, e a apenas 87 quilómetros da costa sueca, Gotland é vista pelas autoridades militares como um ponto essencial para o controlo das operações marítimas e aéreas no Mar Báltico.

Nos planos de defesa suecos para o período entre 2025 e 2030, um eventual ataque surpresa à ilha figura entre os cenários prioritários de planeamento. Segundo o coronel Andreas Gustafsson, comandante das forças do Exército sueco em Gotland, controlar a ilha significa controlar o Mar Báltico, razão pela qual considera fundamental garantir a sua defesa, não apenas para a Suécia, mas também para a NATO.

O regimento P18 foi reativado em 2018, num contexto de crescente preocupação com a Rússia, processo que se acelerou após a invasão em grande escala da Ucrânia. Desde a adesão da Suécia à NATO, Gotland passou também a receber regularmente exercícios militares da Aliança.

Apesar do reforço da capacidade militar, Gustafsson reconhece que o rearmamento enfrenta dificuldades devido à elevada procura internacional por equipamento militar, sobretudo sistemas de artilharia. O responsável afirma ainda que, neste momento, não existe uma ameaça imediata de um ataque convencional à ilha, considerando mais prováveis ações de espionagem ou sabotagem. Ainda assim, alerta que um eventual cessar-fogo ou acordo de paz na Ucrânia poderá permitir à Rússia redistribuir rapidamente forças para a região do Báltico. "O risco é que a Rússia se torne desesperada. Quanto maior for a pressão sobre a Rússia, mais desesperada poderá ficar", afirma.

Caso ocorra um ataque, o plano sueco passa por defender Gotland e manter a população civil, tanto quanto possível, nas suas localidades. Em situação de mobilização, o agrupamento de combate responsável pela defesa da ilha contará com cerca de 4.500 militares.

Paralelamente ao reforço militar, Gotland aposta fortemente na preparação da sociedade civil. Eva Rinblad, médica de 49 anos, criou há cerca de um ano um grupo de preparação de emergência na sua vizinhança, depois de acompanhar os alertas das autoridades. A iniciativa integra o programa "Stark socken", que promove a preparação das comunidades locais através do levantamento de recursos como água, eletricidade e comunicações, estando agora a avançar para o mapeamento das fontes de água disponíveis.

Rinblad pretende ainda criar um centro local de apoio que possa servir de ponto de informação, aquecimento, confeção de alimentos, carregamento de telemóveis e alojamento temporário em caso de emergência. Na sua propriedade mantém reservas alimentares, hortas, árvores de fruto, aves, painéis solares e sistemas de recolha de água da chuva.

Segundo a médica, caso a ilha fosse atacada, seria importante proteger os cidadãos mais vulneráveis, mas também assegurar que a sociedade continuasse a funcionar da forma mais normal possível, mantendo escolas, infantários e locais de trabalho em funcionamento sempre que as circunstâncias o permitissem.

Ainda este ano, Gotland irá realizar um exercício de evacuação de emergência que envolverá várias centenas de habitantes, deslocados de uma zona da ilha para outra.

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