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De acordo com o site oficial do projeto, a nova funcionalidade insere-se na aplicação do modelo ao domínio dos media, com o objetivo de facilitar o acesso a informação jornalística de maior qualidade. Entre as capacidades previstas estão a identificação de narrativas dominantes em artigos considerados potencialmente manipuladores e a deteção de técnicas de persuasão.
O Ministério da Reforma do Estado esclareceu, contudo, à CNN Portugal, que esta funcionalidade não integra o desenvolvimento central do modelo Amália.Trata-se de um caso de uso específico, desenvolvido pela equipa científica da Universidade do Porto para fins de investigação e experimentação.
O coordenador do projeto, João Magalhães, afirmou que a ferramenta não irá classificar notícias como "manipuladoras", mas sim assinalar excertos onde poderão estar presentes técnicas de persuasão. A expressão "natureza manipuladora", atualmente utilizada no site do projeto, refere-se, segundo o responsável, a conteúdos que, de acordo com a literatura científica, recorrem de forma significativa a estratégias persuasivas, sobretudo em contextos de desinformação, propaganda ou comunicação altamente polarizada, não constituindo um juízo sobre órgãos de comunicação social ou artigos específicos.
Para desenvolver esta variante, uma equipa de linguistas anotou 104 artigos em português europeu, identificando exemplos de diferentes técnicas de persuasão. Esses dados foram utilizados para afinar o modelo, que deverá ser capaz de reconhecer 23 técnicas distintas, identificando os excertos onde considera existir uma determinada estratégia e indicando qual a técnica detetada.
João Magalhães sublinha, no entanto, que a ferramenta não pretende substituir a análise humana nem avaliar a veracidade, qualidade ou imparcialidade de uma notícia. Acrescenta ainda que, como qualquer modelo de inteligência artificial, está sujeita a erros, sendo os seus resultados encarados apenas como apoio à análise crítica dos conteúdos.
A variante é avaliada com exemplos que não fizeram parte do processo de treino, de forma a testar a sua capacidade de aplicar o conhecimento adquirido a novos conteúdos.
A investigação está a ser desenvolvida em colaboração com jornalistas, investigadores e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, com o objetivo de criar ferramentas de apoio à análise crítica dos conteúdos.
Esta variante integra um projeto mais amplo, financiado com 5,5 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência, ao qual se prevê juntar um investimento adicional de 1,5 milhões de euros até 2027. O modelo base, apresentado pelo Governo como o primeiro grande modelo de linguagem aberto desenvolvido em português europeu, destina-se a apoiar aplicações na Administração Pública, incluindo um assistente virtual para o portal gov.pt.
Segundo o Governo, a variante destinada à análise de notícias não será, nesta fase, disponibilizada ao público nem a entidades externas.
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