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O plano de Magyar passa por aumentar substancialmente o investimento militar, propondo que a Hungria atinja a meta de 5% do PIB em despesas de defesa até 2035, em linha com os objetivos mais ambiciosos da NATO. Além disso, quer modernizar o exército húngaro, reforçar capacidades tecnológicas de dupla utilização (civil e militar) e fazer uma revisão profunda dos contratos do setor da defesa, com especial foco na deteção e eliminação de corrupção. Outra prioridade seria uma auditoria alargada aos sistemas informáticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da agência de aquisições militares, com o objetivo de identificar falhas de cibersegurança.
Um dos pontos centrais do programa é também a redução da influência russa no aparelho do Estado húngaro, incluindo serviços de informação e estruturas ligadas à segurança. Esta orientação representa uma inversão significativa face à política de Viktor Orbán, que desde 2010 tem sido acusado por vários aliados europeus de aproximar a Hungria de Moscovo e de bloquear decisões da UE relativas à Ucrânia.
No plano internacional, a eventual chegada de Magyar ao poder é vista por diplomatas europeus e da NATO como uma oportunidade para a Hungria se tornar um parceiro mais previsível e alinhado com o Ocidente, segundo o Politico. Há expectativa de que um novo governo possa levantar vetos húngaros a mecanismos de apoio financeiro da União Europeia à Ucrânia, incluindo um possível empréstimo de 90 mil milhões de euros, bem como facilitar o uso de fundos europeus de apoio militar a Kiev. Também poderia melhorar a partilha de informação sensível dentro da NATO, algo que tem sido objeto de desconfiança por parte de alguns aliados devido a alegadas ligações de Budapeste a Moscovo.
No entanto, vários analistas sublinham ao mesmo meio que estas mudanças seriam politicamente difíceis e lentas de concretizar. Viktor Orbán poderá tentar aprovar legislação de última hora antes de sair do poder, criando obstáculos institucionais para limitar a margem de ação de um eventual governo de Magyar. Além disso, a influência russa nas estruturas de inteligência e segurança da Hungria é descrita como profundamente enraizada, o que tornaria qualquer tentativa de reforma rápida particularmente complexa.
A Hungria enfrenta um défice elevado, perto de 4,7% do PIB, e o programa de Magyar inclui também promessas de aumento do investimento em saúde e políticas sociais, o que pode competir diretamente com o aumento da despesa militar. Isso torna improvável, pelo menos a curto prazo, uma subida agressiva do orçamento de defesa.
Há ainda o fator político interno: depois de anos de propaganda governamental crítica da Ucrânia, o tema não é popular junto de muitos eleitores húngaros, o que obrigaria Magyar a adotar uma posição cautelosa em relação a Kiev para evitar desgaste político.
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