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Orbán, no poder há 16 anos, enfrenta um desafio sem precedentes por parte de Magyar, antigo aliado do sistema governamental que entretanto se tornou o principal rosto da oposição com o seu partido Tisza. As sondagens indicavam vantagem para a oposição antes da votação, aumentando ainda mais a pressão sobre o resultado.

A afluência às urnas tem sido particularmente elevada, com cerca de 54% dos eleitores a votar até ao início da tarde,  um valor muito acima dos 40% registados nas eleições de 2022 e o mais alto da história recente do país, sinal da mobilização e polarização do eleitorado.

O clima de desconfiança é generalizado. Ambos os lados acusam-se mutuamente de fraude eleitoral e já preparam mecanismos para contestar o resultado. Especialistas admitem que o desfecho poderá ser impugnado em tribunal, independentemente de quem vença, o que pode prolongar a crise política.

No terreno, segundo o Politco, há uma forte presença de observadores: centenas de observadores internacionais estão no país, incluindo representantes da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa. Paralelamente, o partido de Orbán mobilizou também os seus próprios observadores, incluindo aliados europeus do grupo político Patriots for Europe, o que levanta receios de versões contraditórias sobre a legitimidade do processo eleitoral.

As denúncias de irregularidades incluem alegações de compra de votos e intimidação de eleitores, sobretudo em zonas rurais. Um documentário recente, intitulado “The Price of a Vote”, denunciou práticas de pagamento em dinheiro para garantir votos no partido Fidesz, com relatos de ofertas que podem chegar aos 80 euros por voto. Além disso, redes de observadores independentes foram criadas para monitorizar e divulgar possíveis fraudes em tempo real.

Tanto o governo como a oposição criaram canais próprios para recolher denúncias: o partido Tisza disponibilizou plataformas para os eleitores reportarem irregularidades, enquanto o Fidesz criou uma linha direta e um email dedicados. O governo afirma já ter identificado centenas de alegadas violações, muitas delas atribuídas à oposição, que, por sua vez, acusa o executivo de preparar manobras para descredibilizar ou anular resultados em zonas desfavoráveis.

A retórica política também está a intensificar-se. A oposição afirma que aceitará os resultados se forem livres e justos, mas alerta para possíveis tentativas de manipulação. Já o governo acusa a oposição de estar a preparar protestos ou mesmo ações mais radicais caso perca, sublinhando a proximidade física entre eventos da oposição e edifícios governamentais como um potencial fator de escalada.

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