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Ao longo do dia, multiplicaram-se os alertas enviados por escolas aos pais, recomendando a verificação dos registos de acesso aos perfis clínicos das crianças e a denúncia de qualquer situação irregular junto das autoridades competentes.
De acordo com o Expresso, o caso não envolve apenas menores. Também dados administrativos de adultos terão sido acedidos indevidamente.
Numa primeira reação, a Ordem dos Médicos admitiu duas hipóteses: os acessos poderiam resultar de um ato voluntário do profissional identificado ou de uma falha de cibersegurança. Entretanto, a segunda possibilidade ganhou força. Um hacker terá obtido as credenciais do médico e utilizado esse acesso para consultar múltiplos processos, cenário que está agora a ser investigado pelas autoridades. A Procuradoria-Geral da República confirmou a abertura de um inquérito.
Também a Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Minho, onde o médico atualmente exerce funções, garante que tudo aponta para uma usurpação de identidade digital. Em comunicado, a instituição refere que, após ouvir o profissional, concluiu que “as credenciais terão sido comprometidas”, sublinhando que os acessos não foram realizados pelo médico.
Segundo a ULS, o uso indevido das credenciais permitiu o acesso a “registos administrativos, não clínicos, de diversos utentes, entre os quais crianças”, tendo o caso sido comunicado às entidades competentes.
Os registos consultados pelos utilizadores no SNS24 indicam que parte dos acessos terá sido efetuada a partir de Miranda do Corvo, local onde o médico em causa trabalhou há cerca de oito anos. De acordo com fonte ligada ao processo, o profissional terá recebido novas credenciais quando mudou de unidade de saúde, mas as antigas, que deveriam ter sido desativadas, continuariam ativas e terão sido utilizadas entre quinta e sexta-feira.
A Ordem dos Médicos acompanha o caso em articulação com o Ministério da Saúde, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) e a ULS do Alto Minho. O bastonário, Carlos Cortes, confirmou que já chegaram “inúmeras queixas” à instituição.
Os SPMS recusaram comentar casos concretos relacionados com segurança informática, mas garantiram que todas as comunicações de possíveis incidentes de cibersegurança estão a ser analisadas em coordenação com as autoridades.
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