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Em declarações aos jornalistas, em Fátima, à margem do V Encontro Nacional das Comissões Diocesanas de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis, Rute Agulhas afirmou que se trata sobretudo de casos antigos, denunciados agora pela primeira vez por vítimas que procuram apoio e não compensações financeiras.

“São pessoas que nos contactam porque querem falar, muitas vezes pela primeira vez, ou porque desejariam beneficiar de apoio psicológico”, explicou, sublinhando que ainda é prematuro avançar com números concretos, uma vez que os dados só são sistematizados nos relatórios semestrais do grupo.

Segundo a coordenadora, os alegados abusadores estão falecidos, devido ao tempo decorrido desde os factos, escusando-se a especificar se se trata de sacerdotes. Rute Agulhas salientou que a informação detalhada só será divulgada quando estiver organizada e validada, rejeitando partilhas avulsas.

A responsável alertou ainda para a existência de situações mais recentes, algumas ainda não prescritas criminalmente, que continuam a não chegar às estruturas da Igreja, incluindo ao Grupo VITA e às comissões diocesanas. Nesse sentido, destacou a importância do trabalho de proximidade desenvolvido com escolas, escuteiros e catequistas.

O Grupo VITA continua também a receber pedidos de ajuda relacionados com abusos ocorridos fora do contexto da Igreja, como no seio familiar ou escolar, bem como situações de violência doméstica, que são reencaminhadas para as entidades competentes.

Questionada sobre os valores das compensações financeiras às vítimas, Rute Agulhas recusou comentar, lembrando que o Grupo VITA não participa na definição desses montantes. Quanto ao futuro da estrutura, cujo plano de atividades termina em maio, garantiu existir disponibilidade para continuar, com objetivos ajustados à nova fase do processo.

“O processo das compensações é apenas uma pequena parte de todo o caminho de reparação. Continua a haver muito trabalho por fazer”, concluiu.

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