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O Ministro dos Negócios estrangeiros reafirmou que a Dinamarca acredita que a segurança da Gronelândia pode ser garantida dentro do quadro atual e considerou inaceitáveis quaisquer soluções que não respeitem a integridade territorial dinamarquesa e o direito à autodeterminação do povo gronelandês. A ministra dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeldt, subscreveu esta posição.

As partes acordaram criar um grupo de trabalho de alto nível para tentar aproximar posições, focado nas preocupações de segurança dos EUA no Árctico, mas respeitando as “linhas vermelhas” de Copenhaga e da Gronelândia.

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Vivian Motzfeldt, sublinhou que “nunca foi tão importante” reforçar que a Gronelândia e a Dinamarca são aliadas dos Estados Unidos, uma relação que dura “há muitos, muitos anos” e que pretendem manter no futuro. Defendeu a necessidade de “normalizar” a relação, num contexto de retórica cada vez mais tensa.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, reconheceu que não foi possível alterar a posição dos EUA nas conversações recentes, mas insistiu que qualquer solução para a Gronelândia tem de respeitar as linhas vermelhas da Dinamarca em matéria de soberania territorial. Recusou discutir eventuais compromissos através dos meios de comunicação social e explicou que o encontro serviu precisamente para evitar confrontos públicos e procurar soluções construtivas com espaço para nuances.

Rasmussen afirmou que não existem ameaças imediatas da China ou da Rússia que a Dinamarca, a Gronelândia e os seus aliados não consigam gerir, e foi claro ao dizer que não há apoio da população gronelandesa a qualquer intervenção norte-americana. Acrescentou que o presidente dos EUA mantém o desejo de “conquistar” a Gronelândia, algo que Dinamarca e Gronelândia consideram contrário aos interesses do Reino da Dinamarca.

Sobre o contexto geopolítico, Rasmussen admitiu que existe uma nova situação de segurança no Árctico e que o chamado “dividendo da paz” terminou. No entanto, recordou que foram os próprios EUA que reduziram drasticamente a sua presença militar na Gronelândia ao longo dos anos. Defendeu que esta nova realidade exige uma resposta, mas não implica, nem justifica, que os EUA passem a ser donos da Gronelândia.

O ministro criticou ainda a condução do debate através das redes sociais, considerando-a perturbadora, e aproveitou para corrigir algumas alegações, sublinhando que não houve navios de guerra chineses na Gronelândia há cerca de uma década. Apesar das divergências, classificou o encontro como construtivo e um regresso ao diálogo.

Motzfeldt reforçou esta posição, defendendo que há espaço para aprofundar a cooperação em matéria de segurança com os EUA, mas deixando claro que isso não implica a perda de soberania ou a posse da Gronelândia pelos Estados Unidos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, afirmou que não é fácil ser inovador na procura de soluções quando acorda todos os dias com ameaças provenientes dos EUA. Reconheceu que a situação é emocionalmente difícil para todos, incluindo os gronelandeses e a comunidade gronelandesa na Dinamarca.

Rasmussen destacou que a Dinamarca se vê como uma das aliadas mais próximas dos EUA, recordando o apoio dado na guerra do Afeganistão, e sublinhou que, apesar das diferenças atuais em relação às declarações públicas dos EUA sobre a Gronelândia, o objetivo é trabalhar de forma próxima e respeitosa com os norte-americanos.

Os ministros dinamarquês e gronelandês transmitiram aos homólogos norte-americanos que é importante explorar soluções que conciliem algumas preocupações dos EUA, sem comprometer a integridade territorial do Reino da Dinamarca nem o direito à autodeterminação do povo gronelandês.

Paralelamente, surgiram notícias de que a Alemanha estará a ponderar enviar tropas para a Gronelândia no âmbito de exercícios europeus no Árctico, embora a informação ainda não tenha confirmação oficial.

Donald Trump voltou a afirmar que “só os EUA” conseguem proteger a Gronelândia de alegadas ameaças da Rússia e da China, intensificando a pressão política sobre a Dinamarca e o governo gronelandês antes de novas conversações. Numa publicação recente nas redes sociais, Trump pediu à NATO que obrigasse a Dinamarca a agir, ironizando que “dois trenós puxados por cães não chegam” e concluindo que apenas os EUA podem garantir a segurança do território.

Trump partilhou também um relatório recente dos serviços de informações dinamarqueses, que alerta para a crescente competição entre grandes potências no Árctico. O documento sublinha que Rússia, China e EUA têm interesses divergentes, mas todos pretendem reforçar a sua presença na região, com especial destaque para o interesse estratégico crescente dos EUA na Gronelândia, considerada crucial para a segurança nacional norte-americana.

Segundo o relatório citado no The Guardian, o Árctico é visto por Washington como a primeira linha de alerta precoce num eventual conflito com a Rússia ou a China, sendo a base espacial de Pituffik essencial para a deteção de mísseis dirigidos ao território continental dos EUA. Apesar das dificuldades económicas e da guerra na Ucrânia, a Rússia mantém capacidades militares robustas no Árctico, incluindo a possibilidade de lançar ataques a partir das suas bases na região com pouco aviso. Moscovo poderá também reagir de forma cada vez mais imprevisível e confrontacional ao aumento da atividade militar ocidental.

O relatório acrescenta que a China ainda não tem presença militar no Árctico, mas pretende desenvolver capacidade para operar navios e submarinos na região dentro de cinco a dez anos. Rússia e China deverão reforçar a cooperação no Árctico, podendo realizar exercícios militares conjuntos já em 2026, como forma de sinalização estratégica aos EUA e ao Ocidente.

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