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A região de Granada, no sul de Espanha, voltou a tremer durante a madrugada de quarta-feira. O Instituto Geográfico Nacional (IGN) espanhol registou seis sismos consecutivos desde a meia-noite, cinco dos quais foram sentidos pelos habitantes de vários municípios da área metropolitana.

O mais forte dos seis abalos atingiu magnitude 2,5. Os restantes tiveram magnitudes entre 3 e 4 e ocorreram em diferentes pontos da região metropolitana de Granada, segundo o comunicado de imprensa do IGN.

Desde as 00h00 de 14 de agosto, o IGN contabilizou "621 eventos sísmicos nesta série", na sua maioria de magnitude inferior a 2. Dez tiveram magnitude igual ou superior a 3 e todos ocorreram a profundidades inferiores a 10 quilómetros. No total, "42 sismos foram sentidos pela população".

Ao 24notícias, o professor e geofísico Miguel Miranda explica que “Granada é uma zona muito peculiar”, referindo a proximidade do mar de Alborão e a existência de uma antiga placa tectónica que está “a mergulhar no manto”.

“É uma placa fria que está a mergulhar dentro da Terra”, explica o professor. Este processo pode dar origem a sismos a grande profundidade. “Os sismos na zona de Granada podem ter 60 quilómetros de profundidade ou 70, até mais.”

O movimento da placa em profundidade tem também consequências à superfície. “Esse processo geológico leva a que haja uma certa extensão à superfície, ou seja, à formação de uma bacia”, explica Miguel Miranda.

É neste contexto que o especialista enquadra a atual sequência sísmica. “Em toda essa região que está em extensão, o que aconteceu agora foi uma sequência de sismos essencialmente extensivos.”

Embora os sismos registados nos últimos dias apresentem, em geral, magnitudes moderadas, a reduzida profundidade de alguns dos movimentos faz com que sejam sentidos de forma significativa à superfície.

“Os sismos têm magnitudes que não são muito altas, mas, como são muito superficiais, dão origem a intensidades que têm chegado aos seis”, afirma Miguel Miranda.

Uma intensidade de nível 6 é sentida por praticamente toda a população e pode provocar a queda de objetos dentro das habitações. “É uma intensidade que é sentida, praticamente, por toda a população. Dá origem mesmo a quedas de objetos em casa”, explica.

Segundo o professor, os mecanismos focais calculados apontam para magnitudes entre 4 e 5, enquanto as intensidades sentidas à superfície podem chegar ao nível 6 da escala europeia.

Os sismos podem anteceder um abalo maior?

A atual sequência levanta a questão sobre a possibilidade de estes movimentos serem um prenúncio de um sismo de maior magnitude. Miguel Miranda, contudo, explica que não deve ser estabelecida uma relação direta entre os diferentes abalos.

“Os sismos não geram uns, não geram outros. Ambos fazem parte do mesmo processo”, afirma.

Segundo o especialista, os movimentos registados à superfície são consequência de um processo geológico de maior escala que ocorre em profundidade.

“É um processo de formação: em profundidade há uma descida de uma antiga placa tectónica e, à superfície, há a formação de uma bacia, que é o que estamos aqui a ver formar-se.”

Ainda assim, a região tem um historial de sismos de grande intensidade. Miguel Miranda recorda, nomeadamente, o sismo de 1884.

“Já houve sismos grandes lá, já tivemos sismos históricos”, afirma, referindo que alguns chegaram a atingir intensidades de nível 9 e 10.

O especialista admite, por isso, que a região possa vir a registar movimentos mais fortes. “Podemos ter uma situação em que tenhamos sismos do mesmo tipo, mas com magnitudes superiores e intensidades superiores.”

Segundo o jornal El Mundo, a sequência de tremores levou à realização de inspeções técnicas em vários municípios da área metropolitana de Granada, com o objetivo de avaliar eventuais danos nos edifícios.

O sismo de magnitude 2,5 foi sentido em cerca de duas dezenas de municípios da região. Algumas pessoas foram também retiradas de imóveis como medida de precaução, enquanto as autoridades avaliam as condições de segurança das habitações.

Para Miguel Miranda, um dos principais riscos está relacionado com edifícios que apresentem menor resistência aos movimentos sísmicos.

Atividade sísmica mantém autoridades em alerta

A atual sequência ocorre poucos dias depois de um sismo de magnitude 5 que atingiu a região de Granada. O abalo ocorreu às 01h04 de sábado, com epicentro em Alhendín, e foi seguido por vários movimentos de menor intensidade.

Perante a continuidade da atividade sísmica, a Junta da Andaluzia mantém ativa a fase de pré-emergência do Plano de Emergência perante o Risco Sísmico na província de Granada.

Apesar da proximidade geográfica, Miguel Miranda considera que o fenómeno que está na origem da atual atividade sísmica "não atinge, essencialmente, Portugal".

Segundo o especialista, a atividade está ligada à cadeia Bética, o sistema montanhoso que atravessa o sul de Espanha.

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