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O Governo sueco aumentou recentemente de três para seis o número de tentativas de FIV financiadas pelo Estado para casais que tentam ter o primeiro filho. Agora, o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson anunciou que, caso o seu partido, o partido moderado de centro-direita, se mantenha no poder, pretende alargar esse apoio também a casais que procurem ter um segundo ou terceiro filho.

A proposta surge depois de dados oficiais revelarem que a taxa de fertilidade da Suécia caiu para 1,42 filhos por mulher em 2025, o valor mais baixo desde 1749, ano em que começaram os registos.

“É um nível que nunca tivemos na Suécia”, afirmou Kristersson num podcast, defendendo que parte da quebra pode explicar-se pelo facto de muitas pessoas não conseguirem ter os filhos que desejam. Atualmente, embora as tentativas de FIV para o primeiro filho sejam financiadas pelo Estado, os tratamentos para filhos adicionais não estão abrangidos, tendo um custo estimado de cerca de 50 mil coroas suecas por tentativa.

De acordo com o The Guardian, tema entrou no debate político e levou alguns comentadores a acusarem os partidos de tentarem “entrar no quarto” das famílias, apesar de Kristersson sublinhar que não pretende interferir nas decisões privadas sobre o número de filhos.

A preocupação com a quebra da natalidade levou o Governo sueco a pedir um estudo sobre formas de inverter a tendência, alertando que, se o ritmo atual se mantiver, cada nova geração poderá ser cerca de um terço mais pequena do que a anterior.

A ministra da Saúde, Elisabet Lann, afirmou que o objetivo é dar a mais pessoas a possibilidade de concretizar o desejo de constituir família, lembrando que um em cada seis casais na Suécia enfrenta infertilidade involuntária.

A oposição, liderada pelos Partido Social-Democrata, concorda que são necessárias mais medidas de apoio à natalidade, mas alerta para o risco de a proposta ser usada como uma solução política de curto prazo ou de criar falsas expectativas.

Especialistas, contudo, duvidam que a estratégia tenha impacto significativo na natalidade ou nos resultados eleitorais. O sociólogo Martin Kolk considera que a redução do número de filhos está mais ligada a mudanças culturais e à valorização de outros estilos de vida, como a carreira, os hobbies e a realização pessoal.

Já a politóloga Helena Olofsdotter Stensöta entende que a proposta tem sobretudo um valor simbólico, ao sinalizar uma aproximação do Partido Moderado ao eleitorado feminino.

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