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O Governo central de Espanha ordenou à câmara municipal de Jumilla, na região de Múrcia, que revogue a proibição de celebrações religiosas em instalações desportivas públicas — decisão que, segundo Madrid, violava o direito à liberdade religiosa e afetava principalmente a comunidade muçulmana local, escreve o The Guardian.

A polémica surgiu depois de a autarquia, liderada pelo Partido Popular (PP) e com cerca de 27 mil habitantes, ter aprovado uma moção que impedia a utilização de pavilhões e outros equipamentos desportivos para “atividades culturais, sociais ou religiosas alheias ao município”. Embora o texto final não mencionasse especificamente o Islão, a medida foi amplamente interpretada como um ataque às festividades do Eid al-Fitr e do Eid al-Adha, que há anos eram celebradas por cerca de 1500 residentes muçulmanos nestes espaços.

A proposta partira inicialmente do Vox, partido de extrema-direita, que exigia a proibição explícita do Eid al-Adha em troca do seu apoio ao orçamento municipal. O PP suavizou o texto, mas manteve a restrição. Para o Vox, tratou-se de um passo histórico para impedir “festivais islâmicos” em espaços públicos; para muitos críticos, foi um ato de “islamofobia institucional”.

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Ángel Víctor Torres, ministro da Política Territorial, reagiu de imediato: “Não pode haver meias-medidas quando se trata de intolerância”, escreveu nas redes sociais, acusando a direita de querer decidir “quem tem liberdade de culto e quem não tem”.

A contestação não veio apenas de membros do Governo socialista. O presidente de uma federação islâmica nacional classificou a moção como “um grave retrocesso democrático”. Até a Igreja Católica se pronunciou, considerando a medida incompatível com a liberdade religiosa. A Federação das Comunidades Judaicas de Espanha também criticou a decisão.

O PP de Jumilla, contudo, defendeu-se, sublinhando que na cidade convivem 72 nacionalidades e negando qualquer intenção discriminatória. O presidente da câmara, Seve González, afirmou ao jornal El País que o objetivo era “promover campanhas culturais” que valorizassem “a nossa identidade” e protegessem “os valores e expressões religiosas do nosso país”.