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As declarações foram feitas no Colóquio da Polícia Municipal de Lisboa, onde o ministro sublinhou que o combate ao crime deve deixar de estar limitado às fronteiras administrativas dos concelhos e passar a ser pensado à escala das grandes áreas urbanas contínuas, com especial enfoque em cidades como Lisboa, Porto e Algarve.
“A urbe não são os concelhos”, afirmou Luís Neves, defendendo um modelo de articulação entre sistemas de videovigilância, comando operacional e resposta policial mais coordenada, numa lógica de atuação integrada perante a mobilidade da criminalidade.
O governante rejeitou a ideia de um aumento generalizado da criminalidade face ao passado, referindo que, em comparação com décadas anteriores, os níveis atuais são inferiores. Ainda assim, reconheceu a existência de pressão no espaço urbano e reforçou a necessidade de maior visibilidade policial. “A segurança constrói-se com presença”, sublinhou.
Luís Neves garantiu ainda que o Executivo está disponível para reforçar as polícias municipais e apostar na valorização das carreiras, defendendo maior estabilidade e ligação das forças ao território. O ministro deixou também elogios à atuação da PSP, afirmando que, “com os poucos meios que tem, faz milagres”.
No mesmo encontro, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, defendeu que a cidade é globalmente segura, mas reconheceu que existe uma perceção de insegurança por parte de alguns cidadãos, o que exige resposta no terreno.
O autarca destacou a redução do efetivo da Polícia Municipal ao longo dos últimos anos, passando de cerca de 600 para 400 agentes, e saudou o reforço previsto de novos profissionais. Defendeu ainda uma maior presença policial visível nas ruas, considerando-a essencial para o sentimento de segurança da população.
Carlos Moedas apontou também a expansão da videovigilância em Lisboa, que passou de 27 para 96 câmaras, com novos investimentos em curso, e sublinhou que estes sistemas devem funcionar como complemento ao policiamento tradicional.
Por fim, o autarca destacou a habitação como um dos principais obstáculos à fixação de agentes na cidade, defendendo soluções que permitam garantir condições de residência adequadas para profissionais das forças de segurança.
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