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A primeira demissão a marcar a nova crise interna no Partido Trabalhista britânico foi a de Miatta Fahnbulleh, ministra para a Descentralização, Fé e Comunidades, que abandonou o Governo para poder defender publicamente a saída de Keir Starmer da liderança do Labour.
Segundo o The Guardian, a decisão abriu uma nova frente de contestação interna ao primeiro-ministro britânico, numa altura em que vários setores do partido questionam a estratégia política seguida pelo executivo após os recentes resultados eleitorais considerados desastrosos.
Pouco depois, Jess Phillips, ministra adjunta, também apresentou a demissão através de uma carta fortemente crítica dirigida a Starmer.
Na carta, Phillips reconhece que o primeiro-ministro é “fundamentalmente um bom homem”, mas considera que lhe falta capacidade de liderança e coragem política para avançar com mudanças profundas.
A ex-ministra acusa ainda Starmer de só agir sob pressão e de atrasar reformas importantes, incluindo medidas destinadas a combater a violência contra mulheres e crianças.
Entre os exemplos apontados está uma proposta legislativa para impedir menores de utilizarem telemóveis para produzir imagens íntimas de si próprios. Segundo Phillips, apesar de existir tecnologia para impedir esse tipo de conteúdos, o Governo demorou mais de um ano a aceitar sequer ameaçar legislar sobre o tema.
“Isso é a definição de mudança incremental. Não há nada de ousado nisso”, escreveu.
Jess Phillips defendeu ainda que o Partido Trabalhista precisa de uma liderança “com mais combatividade”, acusando o executivo de falhar em aproveitar plenamente a oportunidade histórica de governar.
“Política é tanto sentimentos como políticas públicas”, afirmou, acrescentando que já não vê a mudança que esperava do Governo.
A terceira demissão surgiu com Alex Davies-Jones, secretária de Estado, que também abandonou o executivo e criticou a resposta do partido aos recentes resultados eleitorais.
Na carta de demissão, Davies-Jones descreve os resultados como “catastróficos” e afirma que o partido precisa de ouvir a mensagem deixada pelos eleitores.
Tal como Jess Phillips, a deputada pelo círculo de Pontypridd, no sul do País de Gales, uma das regiões onde os trabalhistas sofreram derrotas pesadas, descreveu Starmer como “um bom homem”, mas sugeriu que isso não basta para liderar o partido e o país.
As três demissões aumentam a pressão sobre Keir Starmer e alimentam especulações sobre uma eventual disputa pela liderança trabalhista, com analistas britânicos a apontarem para movimentações internas ligadas a apoiantes do ministro Wes Streeting.
Até ao momento, o primeiro-ministro britânico ainda não reagiu publicamente às demissões.
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