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Segundo o Governo, o despacho que determina a elaboração da Estratégia Industrial Verde entrou em vigor a 25 de junho e prevê a identificação das cadeias de valor prioritárias, do seu potencial de descarbonização e das oportunidades de investimento tecnológico, industrial e económico associadas à industrialização verde.

A estratégia deverá também incluir uma estimativa dos impactos socioeconómicos e energéticos, identificar os principais constrangimentos regulatórios, financeiros, de qualificação e infraestruturais, bem como definir medidas para acelerar a transição energética e ultrapassar os obstáculos identificados.

O Governo diz ainda que a iniciativa pretende transformar as vantagens competitivas de Portugal — como a elevada produção de energia renovável, os custos energéticos competitivos, a localização estratégica, a capacidade industrial instalada e a disponibilidade de talento qualificado — em investimento produtivo, inovação tecnológica, criação de emprego qualificado e crescimento económico.

Entre as cadeias de valor que a estratégia pretende impulsionar encontram-se as indústrias pesadas verdes, o aço descarbonizado, a eletrificação da economia, o armazenamento de energia, os gases renováveis, a captura e utilização de carbono, bem como a mobilidade elétrica, as baterias e outras soluções industriais ligadas à transição energética.

O Executivo destaca ainda que Portugal reúne condições competitivas para atrair investimento industrial, referindo que os preços da eletricidade na União Europeia são cerca de 30% superiores à média portuguesa, que aproximadamente 80% da eletricidade tem origem em fontes renováveis e que o país dispõe de uma das infraestruturas digitais mais avançadas da Europa, com cerca de 98% de cobertura de fibra ótica.

Citado no comunicado, o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, afirma que "Portugal reúne condições únicas para transformar a energia num verdadeiro ativo estratégico", considerando que essas condições colocam o país "numa posição privilegiada na nova geografia industrial europeia".

Já a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, defende que a estratégia permitirá acelerar a substituição progressiva dos combustíveis fósseis através da eletrificação e da utilização de gases renováveis, promovendo também tecnologias de captura, utilização e armazenamento de carbono nos setores onde as emissões são mais difíceis de eliminar. Segundo a governante, o objetivo passa por reforçar a competitividade da indústria portuguesa, atrair investimento e criar emprego qualificado.

De acordo com o comunicado, os dez principais setores industriais concentram cerca de 93% do consumo energético e representam 58% do Valor Acrescentado Bruto industrial, o que evidencia o impacto que a descarbonização poderá ter na competitividade da economia nacional.

O Governo refere ainda que a prioridade passa por aproveitar a vantagem energética do país para reduzir custos operacionais, aumentar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas, transformando a energia de um fator de custo num ativo estratégico para a criação de valor e a atração de investimento.

A Estratégia Industrial Verde surge num contexto de aceleração das políticas industriais europeias destinadas a reforçar a autonomia estratégica e a promover uma nova vaga de reindustrialização. Nesse enquadramento, o Executivo considera que Portugal se apresenta como um destino prioritário para investimento industrial, graças à energia competitiva, à localização estratégica e à estabilidade regulatória.

A proposta será desenvolvida pela Agência para a Energia (ADENE) e pelo IAPMEI, em colaboração com o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e a Direção-Geral da Economia (DGE), envolvendo também o tecido empresarial e científico.

Com horizonte até 2040, a Estratégia Industrial Verde deverá definir as ações prioritárias, o respetivo calendário de implementação e um modelo de governação para assegurar o acompanhamento e a monitorização da sua execução, tendo como objetivo posicionar Portugal entre os líderes da nova economia verde.

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