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"Quando soube desta notícia, estava nos Açores. Predispus-me logo a dar a cara, a falar à comunicação social. Ontem cheguei dos Açores e fui ao canal do jornal da revista [CMTV, do mesmo grupo da revista Sábado] de cara aberta e pronto para responder e colaborar no que fosse necessário. Portanto, eu não me escondo atrás de nenhuma função, de nenhuma proteção, não sou opaco e não fujo às minhas respostas", garantiu Henrique Gouveia e Melo em declarações aos jornalistas.

"Tenho toda a disponibilidade para explicar tudo o que for necessário. E não gosto de ver ninguém a fugir à transparência que é necessária num processo destes", garante o candidato à Presidência da República.

No entanto, defende, "a opacidade não é só, muitas vezes, dos candidatos. A opacidade é, muitas vezes, o sistema, como é que o sistema age e reage a determinadas coisas. E, de facto, a coisa que mais me aborrece, se me permitem este desabafo, é que tivesse sido posta a minha integridade [em causa]".

"Eu não sou uma pessoa rica, não tenho nada de meu a não ser as coisas que eu sempre prezei ao longo da minha vida. Uma delas é a integridade, a minha capacidade de entrega, nos momentos certos, a coragem que tive de ter para enfrentar certas dificuldades. E, portanto, quando essas coisas são postas em causa, costumam atacar verdadeiramente o meu ânimo, enquanto ser humano", notou ainda.

"O meu percurso de vida é simples. Fui oficial de marinha, lutei e estive sempre disponível para lutar pelo meu país e pelas instituições que representam a democracia no país. E fiz isso recebendo só o meu ordenado. Não tenho ninguém que se tenha esquecido de dizer se me tinha dado dinheiro ou não tinha dado dinheiro. Por isso é que esta investigação, esta suposta investigação sobre mim, me parecia um bocado abusiva. E por isso eu disse logo: se alguém me investiga, por favor que me chamem, porque eu estou disponível", frisou.

Gouveia e Melo lembrou ainda que as compras na Marinha são "um sistema muito complexo e que gera uma atividade operacional diária e com uma variabilidade muito elevada" e que o facto de a investigação ter surgido a tão poucos dias das eleições é "uma tentativa de assassinato de caráter".

"Graças a Deus não tenho medo. A minha coragem em termos do que é o meu posicionamento é baseada na minha integridade. Como eu disse ontem, não tenho nada a temer. E quem não teme não deve. Não devo nada a ninguém. Nunca devi nada a ninguém", acentuou.

"Só tive um patrão. Esse patrão foi o Estado português e os portugueses. Portanto é assim que eu estou, de peito aberto e disponível para os senhores, para qualquer dúvida que possam ter sobre mim", rematou.

No dia de hoje, foi anunciado que Henrique Gouveia e Melo não é arguido no inquérito que o Ministério Público de Almada tem em curso sobre 57 contratos celebrados pela Marinha entre 2017 e 2020, confirmou a Procuradoria-Geral da República.

A informação surge na sequência de uma notícia publicada pela revista Sábado, segundo a qual o Ministério Público está a analisar vários ajustes diretos aprovados durante o período em que Gouveia e Melo exerceu funções de comandante naval da Marinha.

Contactado sobre o caso, Henrique Gouveia e Melo afirmou que nunca foi notificado nem ouvido em nenhuma qualidade no âmbito deste processo, sublinhando que desconhecia por completo a existência do inquérito até à publicação da notícia.

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