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A líder do Reagrupamento Nacional (RN), Marine Le Pen, conheceu esta terça-feira a decisão do Tribunal de Recurso de Paris sobre o recurso apresentado contra a pena de inelegibilidade que lhe foi aplicada, numa decisão que poderá definir o seu futuro político e a candidatura do partido às eleições presidenciais francesas de 2027, diz o The Guardian.

Marine Le Pen foi considerada culpada por desvio de fundos públicos, mas alterou a pena de inelegibilidade para o exercício de cargos públicos para 45 meses, dos quais 30 ficam suspensos.

Esta decisão significa que, em teoria, a líder política poderá candidatar-se às próximas eleições presidenciais.

No entanto, o tribunal condenou também Marine Le Pen a uma pena de três anos de prisão, dos quais dois ficam suspensos, ficando o ano restante sujeito ao uso de uma pulseira eletrónica. Foi ainda aplicada uma multa de 100 mil euros.

Segundo recorda o jornal britânico, Marine Le Pen já tinha afirmado, por diversas vezes, que não avançaria com uma candidatura presidencial caso tivesse de usar uma pulseira eletrónica durante a campanha.

Em março do ano passado, um tribunal condenou Marine Le Pen a cinco anos de inelegibilidade com efeito imediato e a uma pena de quatro anos de prisão, dos quais dois com pena suspensa, por desvio de fundos do Parlamento Europeu.

De acordo com o jornal britânico, Le Pen foi considerada culpada, juntamente com 24 antigos eurodeputados, assistentes, contabilistas e o próprio partido, de manter um sistema que utilizava verbas do Parlamento Europeu para pagar funcionários do RN em França entre 2004 e 2016.

A líder da extrema-direita recorreu da decisão, juntamente com outros 11 arguidos, negando que o partido tenha organizado qualquer esquema para desviar milhões de euros e sustentando que atuou sempre de boa-fé. Durante o julgamento do recurso, reconheceu apenas que alguns assessores pagos como assistentes parlamentares europeus desempenharam funções em França, mas afirmou acreditar que essa prática era permitida.

Os procuradores defendem, contudo, que Marine Le Pen profissionalizou um sistema de desvio de fundos iniciado pelo seu pai, Jean-Marie Le Pen, e pedem que a pena de cinco anos de inelegibilidade seja mantida, bem como uma pena de prisão de quatro anos, dos quais três com pena suspensa.

Agora, existem vários cenários possíveis. O mais favorável para Marine Le Pen seria a absolvição, hipótese considerada pouco provável pela maioria dos analistas. Outra possibilidade passa pela manutenção da condenação, mas com redução da pena de inelegibilidade para dois anos ou menos, ou mesmo pela eliminação dessa sanção.

(Notícia atualizada às 13h13)

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